Rabo de Peixe (2023-2026), título original (Mar Branco no Brasil e Turn of the Tide, título em inglês), foi a primeira série portuguesa a entrar no Top 10 mundial de séries não inglesas da Netflix e é ambientada num dos nossos lugares favoritos do mundo, as os Açores. Dois fatores que, por si só, chamaram a nossa atenção para começarmos a ver o primeiro episódio. Desde a primeira cena até ao final da primeira temporada, foi uma maratona de um fim de semana. Assim que a segunda e a terceira (e última) temporadas foram lançadas, não descansámos até as vermos na íntegra.
Dado que já fizemos várias viagens a uma das protagonistas da série, a ilha de São Miguel, e identificámos vários dos locais que apareceram ao longo das três temporadas, decidimos compilá-los neste post para que também possa conhecer alguns destes incríveis cenários naturais.
Atenção, este artigo contém spoilers das três temporadas da série Rabo de Peixe.

Conteúdos
- Introdução
- Locais de filmagem da série Rabo de Peixe na ilha de São Miguel
- Mapa com todos os locais incluídos neste artigo
- Rabo de Peixe e Porto Formoso
- Porto Formoso
- Igreja de Porto Formoso
- Praia do Monte Verde
- Furnas: Caldeiras, Lagoa das Furnas e Parque Grená
- Caldeira Velha: paraíso termal da segunda temporada
- Ilhéu de Vila Franca do Campo e Vila Franca do Campo
- Farol de Arnel
- Hotel Monte Palace e Lagoa das Sete Cidades
- Miradouro e Cascata das Lombadas
- Faial da Terra, o refúgio de Rafael
- Ponta Delgada
- Whalewatching, a aventura falhada de Silvia e Rafael
Introdução
A série de ficção criada por Augusto Fraga tem como ponto de partida um acontecimento que ocorreu na realidade na ilha de São Miguel em 2001, quando um barco que transportava droga naufragou e fez com que a maré arrastasse meia tonelada de cocaína (505,84 kg de cocaína com uma pureza superior a 80%) até à costa norte da ilha de São Miguel, nos Açores, e, mais concretamente, até à localidade de Rabo de Peixe, uma das mais pobres do país naquela época. É um daqueles momentos da história em que a realidade supera a ficção e, neste caso e na nossa opinião, esta equipa soube pegar num facto real e criar uma ficção viciante, combinando um enredo de suspense, um trabalho incrível dos atores e atrizes e uma fotografia impressionante da deslumbrante ilha de São Miguel.
Se é fã da série e vai visitar a ilha de São Miguel brevemente ou até se foi precisamente a série que lhe despertou o interesse por conhecer a maior ilha dos Açores, neste artigo encontrará os principais locais das cenas mais especiais da aventura protagonizada por Maboy Eduardo (José Condessa), por Sílvia (Helena Caldeira), por Rafael (Rodrigo Tomás) e por Carlinhos (André Leitão), quatro jovens de Rabo de Peixe em busca de uma vida diferente.

Nada nesta aventura de sete episódios da primeira temporada seria o mesmo sem, o temível e sem escrúpulos, Arruda (brilhantemente interpretado por Albano Jerónimo) e o seu subordinado Zé do Frango (Dinarte de Freitas), os mafiosos Francesco Bonino (Marcantónio del Carlo) e «il padrino» Monti (Francesco Acquaroli) e, claro, o padre António (Miguel Damião), que abre a primeira cena do primeiro episódio.
Os jovens rapexinhos (termo carinhoso para se referir às pessoas de Rabo de Peixe, pronunciado com orgulho pelas personagens) contam também com a ajuda de Bruna (Kelly Bailey) e Ian (Afonso Pimentel), apesar da busca incessante por justiça por parte da inspetora Frías da Polícia do «continente», ou seja, Portugal Continental (Mª João Bastos), do polícia local Francisco (Salvador Martinha) e do seu superior Banha (João Pedro Vaz). A primeira temporada chega ao fim com a ajuda do pirotécnico uncle Joe (Pepê Rapazote), aos jovens.


Nos seis episódios da segunda temporada, destaca-se a participação da atriz brasileira Paolla Oliveira no papel da traficante Ofelia e do seu compatriota, o ator Caio Blat, como o sanguinário Fagner (com F!). Também o grande José Raposo no papel de Orlando, um contabilista sem escrúpulos (ou não seria irmão de Arruda), para quem supostamente a família está em primeiro lugar (spoiler: não) e o irreconhecível Ricardo Pereira no papel de Mike, o vendedor de fumo (ou melhor, de pó) da High Powder.

Se o rosto do corrupto comendador João Canto Moniz, o «Rockefeller dos Açores», lhe soa familiar, é normal. Trata-se de Joaquim de Almeida, um dos atores mais internacionais de Portugal, que já participou em várias superproduções de Hollywood. Acompanha-o no último episódio a que é considerada a próxima governadora regional dos Açores, a grande atriz Vitória Guerra, que talvez lhe seja familiar pela sua participação na série Auga Seca (que, aliás, também nos encantou). Para quem não é de Portugal, talvez não lhe diga nada, mas certamente que deixou os telespectadores portugueses muito entusiasmados ver a participação especial do grande Ruy de Carvalho, um dos maiores atores portugueses, que aceitou uma participação especial em Rabo de Peixe, nos seus 98 anos, numa curta cena como obstetra de Silvia.

Na terceira e última temporada de Rabo de Peixe, os quatro rapexinhos transformam-se na Justiça da Noite e recuperam uma referência histórica real, ligada a formas de resistência popular e controlo social na vizinha ilha Terceira, especialmente face à apropriação de terras comuns e outros abusos de poder. A série aproveita esse pano de fundo para mostrar como, perante a falta de respostas (e a corrupção) institucionais, os protagonistas organizam uma resposta clandestina que procura proteger a comunidade, embora isso também abra um debate sobre os limites entre a justiça e a violência.

Embora algumas partes da série tenham sido filmadas em Mafra, Almada ou Lisboa, sobretudo em espaços interiores como o Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses, a série passa-se na ilha açoriana de São Miguel e as paisagens da ilha verde transformaram a própria ilha numa das protagonistas da série e numa das responsáveis pelo seu sucesso mundial.

Locais de filmagem da série Rabo de Peixe na ilha de São Miguel
Mapa com todos os locais incluídos neste artigo
Deixamos aqui um mapa do Google Maps com os locais mencionados neste artigo:
Rabo de Peixe e Porto Formoso
É claro que o primeiro local mencionado neste artigo tem de ser a vila de Rabo de Peixe, no município de Ribeira Grande, na costa norte da ilha de São Miguel. Uma humilde vila de 8.800 habitantes e casinhas de pescadores onde, em 2001, a maré arrastou meia tonelada de cocaína, um acontecimento que alterou sociologicamente a tranquila localidade, uma das que naquele ano apresentava os índices de pobreza mais elevados de Portugal (e até da Europa!), e a partir do qual se desenvolve o enredo.

Na série de ficção Rabo de Peixe, é precisamente nesta vila que vivem os quatro protagonistas, Eduardo, Silvia, Rafael e Carlinhos; onde se encontra o videoclube «América» (embora a letra A do letreiro de néon já não exista) onde trabalha Silvia; onde teve lugar o concerto de Sandro G com o seu sucesso «Eu não vou chorar», concerto em que Silvia sofre uma overdose; e que é praticamente o local central de toda a série.

No entanto, no que diz respeito ao local de filmagem, na Randomtrip acreditamos que a maioria das cenas que correspondem na série à localidade de Rabo de Peixe foram, na realidade, filmadas em Porto Formoso, outra localidade do mesmo município, a 18 km de Rabo de Peixe.

Pavilhão Multidesportivo São Pedro Gonçalves (Rabo de Peixe)
Em quase todos os episódios em que se regista a compra e venda de cocaína em Rabo de Peixe, há um local central onde a ação se desenrola: junto a um campo de futebol. Trata-se do Complexo Desportivo São Pedro Gonçalves, perto do mar e com os edifícios coloridos nas suas costas. É aqui que Arruda e Zé estacionam tantas vezes o carro para controlar todos os movimentos.

Foi em Rabo de Peixe, mais concretamente no restaurante Botequim Açoriano, onde desfrutámos dos melhores jantares da nossa viagem de dois meses pelas nove ilhas dos Açores. Como curiosidade, diremos que o restaurante tinha vista (antes da sua recente remodelação) para outro dos locais de filmagem da série: o cemitério de Rabo de Peixe, onde está enterrada a mãe de Eduardo, Fátima (Daniela Ruah) e, posteriormente, onde será enterrado o pai de Eduardo, Jeremiah (Adriano Carvalho).

Esperemos que a série atraia um turismo respeitoso para as Ilhas dos Açores (mais concretamente para a ilha de São Miguel), um arquipélago de beleza sublime e pessoas maravilhosas, e que não siga o caminho do narcoturismo que infelizmente vivemos na nossa viagem à Colômbia (mais concretamente à cidade de Medellín). O país colombiano sofreu e continua a sofrer o estigma da toxicodependência e do tráfico de droga, reavivado pela série de sucesso Narcos da Netflix, em detrimento da heterogeneidade, beleza e pessoas encantadoras do país. Na nossa opinião, neste tipo de turismo, o morbo prevalece sobre a memória histórica e, dado que promovemos o turismo responsável, o nosso conselho é não contribuir e não ser cúmplice deste tipo de turismo (que, por sua vez, também é turismo irresponsável), se tal for possível. Por isso, esperamos que a sua visita a Rabo de Peixe (a São Miguel e aos Açores em geral) seja motivada pela curiosidade e pelo respeito pela sua história, natureza, cultura e povo.
Porto Formoso
Juntamente com a localidade de Rabo de Peixe, o porto é o local onde se desenrolam algumas das cenas mais importantes do enredo da série. O que talvez não saiba é que o famoso porto da série Rabo de Peixe é Porto Formoso, também pertencente ao município de Ribeira Grande, a 18 km de Rabo de Peixe. É neste porto que se vê parte da população de Rabo de Peixe a recolher os pacotes de cocaína que a maré trazia. É também neste porto que assistimos à detenção do traficante da máfia italiana Francesco Bonino; onde Eduardo e Rafael partem com o seu barco; e onde Arruda «mata» Rafael, a poucos metros da costa, na primeira temporada.

Como curiosidade, vale a pena referir que é perto deste porto que se encontram algumas das únicas plantações de chá da Europa e as duas últimas fábricas de chá da Europa: a Fábrica de Chá do Porto Formoso e a mais famosa, a Fábrica de Chá Gorreana. A visita à fábrica de chá de Porto Formoso é gratuita e, todos os anos na primavera, realiza-se uma recriação da colheita do chá à moda antiga, com trajes típicos incluídos.


Na verdade, é precisamente entre as plantações de chá da Fábrica de Chá Gorreana que (na segunda temporada) o uncle Joe Cunha se encontra com o seu amigo e ex-companheiro de cela na prisão dos EUA, já que é aqui que este vive com a sua filha.


Igreja de Porto Formoso
É também em Porto Formoso que se encontra outro importante local de filmagem, tão importante que é onde se passa a primeira cena do primeiro episódio: na igreja. Embora o enredo da série se passe em Rabo de Peixe e a primeira cena seja, segundo os diálogos das personagens, na «Igreja de Rabo de Peixe», a igreja que aparece na série é, na realidade, a bela Igreja de Porto Formoso, ou melhor, a Igreja de Nossa Senhora da Graça.

É nesta igreja que, na primeira temporada, o padre de Rabo de Peixe, António, sofre uma overdose enquanto celebra a missa; é também aqui que tem lugar uma das conversas mais interessantes entre Carlinhos e o padre António, e um dos momentos musicais mais bonitos da série, quando André Leitão canta e toca ao piano a canção «A Little Respect», dos Erasure; é também nesta igreja que o mafioso Monti sequestra Carlinhos.
Praia do Monte Verde
A Praia do Monte Verde ganha especial destaque na segunda temporada, pois é aqui que o grupo de amigos rapexinhos comemora, com champanhe (ou, provavelmente, espumante), o facto de terem conseguido vender toda a droga ao Mike (o traficante de fumo/pó), interpretado por Ricardo Pereira.

Esta praia, tal como Rabo de Peixe e Porto Formoso, também pertence ao município de Ribeira Grande, o município surfista por excelência, e fica bastante perto de ambas as localidades.

Furnas: Caldeiras, Lagoa das Furnas e Parque Grená
Uma das cenas mais comoventes da série é quando o vilão Arruda, num ato de vingança pela possível traição e desconfiança de um dos seus subordinados, Zé dos Frangos, o empurra para uma das caldeiras vulcânicas fumegantes das Furnas.

Furnas é uma das zonas mais antigas da ilha de São Miguel, formada há aproximadamente 750 000 anos, e também a mais visitada da ilha. Porquê? O «Vale das Furnas» situa-se no cratera do vulcão das Furnas, um dos três vulcões ainda ativos e o maior da ilha de São Miguel.


E é precisamente junto à Lagoa das Furnas que existem uns buracos no chão com «tampa» (como aquele em que se vê Arruda a fechar com o Zé lá dentro) que são autênticas cozinhas naturais onde se prepara um prato famoso da ilha: o «Cozido das Furnas»! Depois de colocar todos os ingredientes de um «cozido à portuguesa» (carne, enchidos, legumes), a panela é envolvida num pano de linho e um simpático morador local (ao contrário de Arruda) desce-a com cuidado para um dos buracos da caldeira, onde o calor vulcânico a irá cozinhar.

É preciso ter paciência porque o «Cozido das Furnas» demora várias horas a cozinhar, e talvez tenha sido isso que salvou o Zé… Para se fazer uma ideia, normalmente o cozido que é servido nos restaurantes das Furnas à hora do almoço (a partir das 12h), está na caldeira desde as 4h da manhã.

Os restaurantes mais conhecidos para provar o Cozido das Furnas são o Tonys, o Vale das Furnas, o Banhos Férreos e o Caldeiras e Vulcões (onde também oferecem um cozido vegetariano). O preço do cozido varia normalmente entre 15 € e 30 €, dependendo do restaurante.
Além do mais, parece-nos que outra faceta da Lagoa das Furnas aparece na segunda temporada da série. Embora não tenhamos 100% de certeza, na Randomtrip apostaríamos que se trata precisamente do bosque de criptomérias japonesas do Parque da Grená, na margem da Lagoa das Furnas, que testemunha os encontros entre a inspetora Frías e o seu informador, Eduardo, onde este revela à Polícia Judiciária os próximos passos dos traficantes de droga brasileiros e o plano de chegada do carregamento de cocaína proveniente da Colômbia.

É também nos arredores da Lagoa das Furnas que descobrimos, na terceira temporada da série, o terrível desfecho da filha da inspetora Frias, já que foi aqui (alerta de spoiler) que Natercia Bexiga e Billy Bob enterraram o seu corpo. A descoberta do corpo da filha pela inspetora Frías, brilhantemente interpretada por Maria João Bastos, é muito provavelmente a cena mais comovente de toda a série.

Aproveito para vos lembrar que é precisamente das águas vulcânicas das Furnas que nascem vários paraísos termais em São Miguel, como o Parque Terra Nostra, a Poça Dona Beija ou a Poça da Silvina, e embora nenhum destes tenha sido escolhido para aparecer na série, há um local de águas termais que apareceu, de outro ponto da ilha, do qual vos falamos a seguir.


Caldeira Velha: paraíso termal da segunda temporada
Se já viu a segunda temporada da série, certamente chamou-lhe a atenção o ambiente paradisíaco de umas termas onde Ofelia, a traficante de droga brasileira, e Fagner relaxam. Mais tarde, na série, na segunda e terceira temporadas, a filha da inspetora Frias aparece no mesmo paraíso termal. Bem, temos boas notícias para si: identificámos perfeitamente este paraíso e chama-se…: Caldeira Velha.

Este jardim repleto de plantas endémicas convida-nos a respirar fundo e a terminar debaixo de uma cascata de água quente e, talvez por isso tenha sido o local escolhido por Ofélia para tentar abstrair-se da possibilidade de algo correr mal em todo o processo de transporte de drogas gerido pela sua equipa e pela equipa dos rapexinhos (e, spoiler: ela tinha razão para querer relaxar, porque, de facto, correu mal, especialmente para ela). A temperatura nesta piscina ronda os 25 °C e, nas restantes três piscinas termais, a água está entre os 37 °C e os 39 °C. O ambiente é incrivelmente belo.


Ilhéu de Vila Franca do Campo e Vila Franca do Campo
No centro da costa sul da ilha encontra-se o município mais antigo de São Miguel, capital da ilha até 1522, Vila Franca do Campo, e a cerca de 500 metros da costa encontra-se o Ilhéu de Vila Franca ou, como também é conhecido, o «anel da princesa», devido à sua forma. Este ilhéu é um antigo vulcão submerso cujo cratera inundada forma um círculo quase perfeito com uma pequena abertura para o mar.

É precisamente neste ilhéu que Eduardo e Rafael escondem a cocaína para que Arruda não a possa confiscar. É também neste ilhéu que descobrimos que Eduardo e Jeremiah acabam por não matar o mafioso Monti, uma vez que este reaparece no ilhéu e é descoberto por um grupo de escuteiros, a quem rouba o barco para regressar a São Miguel.

Nesta «reaparição» de Monti no ilhéu de Vila Franca há uma cena, à noite, em que ele manda calar os cagarros, parte indispensável da banda sonora de qualquer viagem aos Açores.

Os cagarros são aves migratórias que nidificam nos Açores e cujo canto particular de «awa awa» (quase como se entoassem o refrão da canção «Video Killed the Radio Star») não deixa ninguém indiferente. Se vai viajar para os Açores em breve, deve saber que, para evitar situações de captura ou atropelamento de cagarros jovens na estrada, o Governo dos Açores promove todos os anos a Campanha SOS Cagarro, que o aconselhamos a conhecer quando chegar ao arquipélago.

Na segunda temporada, o município de Vila Franca do Campo ganha mais destaque do que o seu ilhéu homónimo (da qual continuam a aparecer imagens de drone entre as cenas). Vila Franca do Campo é o município mais antigo de São Miguel e foi capital da ilha até 1522.

É nesta bonita localidade de ruelas estreitas em direção ao mar que Carlinhos se encontra com o padre (com quem se envolve na primeira temporada) pela primeira vez desde o seu regresso dos EUA e onde, em seguida, vai a uma farmácia para tentar encontrar o opiáceo que começou a tomar devido à sua dor crónica na mão e do qual desenvolveu uma dependência. Ao não o conseguir (a farmacêutica diz-lhe que esse medicamento nem sequer é comercializado em Portugal, referindo a falta de controlo dos medicamentos nos EUA e o grave problema que têm com os opiáceos no país há décadas), Carlinhos acaba por comprá-lo no mercado negro. A farmácia em questão é a Farmácia Amaral, facilmente identificável, uma vez que fica ao lado da Igreja do Senhor Bom Jesus da Pedra de Vila Franca do Campo.

De facto, quando Carlinhos está mal, prestes a sofrer uma overdose (mesmo antes de Eduardo aparecer para o salvar e iniciar o processo de desintoxicação na cabana, sob a supervisão do uncle Joe), o que lhe dão para aumentar o seu nível de açúcar é precisamente uma queijada de Vila Franca do Campo.

Também na terceira temporada as famosas «queijadas» do Morgado ganham destaque, uma vez que fazem parte de uma rotina importante. Acontece que o padre corrupto que transportava a droga através dos cruzeiros entre o Brasil e São Miguel tinha sempre a mesma «rotina gastronómica» ao regressar à ilha, que consistia em comer uma queijadinha da Vila acompanhada de um Kima de Maracujá, o refrigerante mais típico dos Açores.

Na última temporada da série, também se mencionam as queijadinhas quando os quatro amigos rapexinhos estão a fazer um brainstorming de ideias e o Rafael sugere enviar um bilhete com «queijadinhas da Vila e Fofinhas da Povoação», fazendo referência não só às famosas queijadinhas, mas também às Fofas, um doce típico da Povoação que provámos numa das nossas últimas viagens a São Miguel. Embora a Povoação seja uma das zonas menos visitadas da ilha de São Miguel, teve um papel importante na última temporada da série: explicamos-lhe porquê e onde, mais abaixo neste artigo.

Farol de Arnel
O local da ilha onde se desenrolam algumas das cenas mais cheias de ação e também as mais trágicas deste enredo na primeira temporada, é no farol de Arnel. Este farol é o mais antigo dos Açores, instalado em 1876 (ainda funciona hoje em dia, embora automatizado, sem faroleiro no local) e, para o visitar, é preciso descer por uma estrada muito estreita e íngreme (35% de inclinação), onde ocorre o tiroteio entre os escandinavos Magnusson, Arruda e os seus subordinados. É aqui que os escandinavos percebem que Arruda tenta vender-lhes farinha com açúcar em vez de cocaína, e onde Arruda percebe que foi enganado por Ian, por Bruna, por Eduardo (ou como Arruda lhe chama, «Quarta-feira»), pela sua filha Sílvia e pelo seu subordinado Zé, a título de vingança.

Ao contrário das personagens da série, na Randomtrip não recomendamos fazer este pequeno caminho de descida (e posterior subida) até ao farol, de carro (pode até arriscar, mas tenha em conta que os carros menos potentes podem ter problemas na subida e, se se cruzar com outro veículo na subida, pode ser um drama, embora não tão trágico como Rabo de Peixe). Pode deixar o carro estacionado em cima, na estrada principal (EN1-1A), e descer a pé; é um bom exercício. Se quiser entrar no farol para prestar homenagem ao local onde morreu o Zé, uma das personagens mais queridas da série, pode fazê-lo às quintas-feiras (das 14h00 às 17h00 no verão e das 13h30 às 16h30 no inverno).

Não saia desta zona sem contemplar a vista panorâmica a partir do Miradouro da Ponta do Arnel, onde terá vistas incríveis do farol e dos arredores, e até mesmo de uma cascata da qual se pode aproximar, a Cascata da Ponta do Arnel.


Este farol situa-se numa das nossas zonas favoritas da ilha de São Miguel, o Nordeste. No passado era tão complicado chegar ao Nordeste da ilha, devido às estradas existentes e ao tempo que demorava o percurso, que a zona era conhecida como a «décima ilha» dos Açores. Hoje em dia, com a melhoria das estradas e as incríveis paisagens que oferece, está cada vez mais no roteiro turístico de quem visita a ilha verde dos Açores.

Hotel Monte Palace e Lagoa das Sete Cidades
Há algo de poético e sinistro nos edifícios abandonados. Talvez por isso as ruínas do Hotel Monte Palace tenham sido escolhidas como cenário de uma das cenas mais importantes do enredo da série Rabo de Peixe na primeira temporada: o encontro entre as forças policiais e o mafioso Monti, que (alerta de spoiler!) acaba por conseguir escapar.

O edifício do Hotel Monte Palace, em frente ao incrível miradouro da Vista do Rei e à sua vista panorâmica sobre a Lagoa das Sete Cidades (o que lhe confere ainda mais potencial fotográfico e cinematográfico), conta histórias do que foi um hotel de luxo que abriu em 1989 (aparentemente, 6 anos mais tarde do que o previsto) e fechou menos de 2 anos depois devido a problemas financeiros.

A esplanada do último andar do hotel oferece vistas impressionantes da Lagoa das Sete Cidades. Sabendo hoje que recentemente o grupo imobiliário Level Constellation adquiriu o hotel para o transformar em algo bonito (e esperemos que tão sustentável quanto um hotel possa ser), apesar de atualmente não ter segurança nem sinalização, deve saber que é propriedade privada e a entrada é proibida.

Este hotel situa-se em frente a uma das lagoas mais belas e fotogénicas da ilha de São Miguel, a Lagoa das Sete Cidades. Embora possam parecer duas lagoas juntas, uma verde e outra azul, na realidade trata-se de uma única lagoa com água verde de um lado e azul do outro, com profundidades e concentrações de algas diferentes, que não se misturam. Existe uma lenda associada a esta lagoa que lhe dá o nome. Pode ler sobre esta lenda no nosso guia completo da ilha de São Miguel.

Parece-nos que a Lagoa das Sete Cidades ganha ainda mais destaque na segunda temporada da série Rabo de Peixe. Embora não possamos afirmá-lo com toda a certeza, na Randomtrip apostaríamos que é precisamente nesta lagoa, mais especificamente numa zona chamada Jardim da Lagoa Azul, onde o cão que é abandonado no início da segunda temporada se encontra com uns escuteiros (assustados) com a mão do cadáver de Arruda na boca. Por outro lado, será que o argumentista e realizador da série, Augusto Fraga, foi escuteiro na infância? Porque os escuteiros aparecem sempre na série a ligar cenas importantes da narrativa. Lembre-se que foram também os escuteiros que encontraram o mafioso Monti na primeira temporada…

Muito perto encontram-se o Aqueduto e o Muro das 9 Janelas, o maior e mais emblemático troço dos aquedutos da ilha, que ganha importância na última temporada, uma vez que é aqui que os quatro elementos de «Justiça da Noite» se revelam como Eduardo, Silvia, Rafael e Carlinhos ao jornalista Pedro Neves (aliás, companheiro da Inspetora Frias).

Miradouro e Cascata das Lombadas
Logo no início da segunda temporada de Rabo de Peixe, vemos um cachorrinho a ser abandonado na ilha de São Miguel (uma prática criminosa infelizmente comum em Portugal) no miradouro (e cascata) de Lombadas. Embora não tenhamos a certeza absoluta da localização, a panorâmica em que a cascata aparece ao fundo foi o que nos levou a apostar nesta zona. O miradouro de Lombadas oferece uma vista panorâmica sobre o vale fluvial a nordeste do vulcão do Fogo e a cascata das Lombadas, visível no vale, apresenta um salto principal de cerca de 45 metros.

Faial da Terra, o refúgio de Rafael
Outra localidade que é uma novidade na segunda temporada é Faial da Terra , onde Rafael Medeiros se refugia depois de ter sido encontrado com vida, em alto mar, por um barco de pescadores (e depois de — segundo a narrativa da série — regressar de uma breve paragem em Santa Maria, para onde os pescadores se dirigiam inicialmente, antes de regressarem a São Miguel). É aqui que se vê Rafael, enrolado num cobertor como se tivesse acabado de atracar no porto lá em baixo (o Portinho de Faial da Terra), chegar à casa de Lídia (a viúva do seu pai?), que cuida dele até que ele «sinta o chamamento do Senhor», tente tornar-se outra pessoa, com uma vida livre de drogas, e chegue mesmo a ser o líder do movimento antidrogas da ilha (alerta de spoiler: esta tentativa de nova vida de Rafael não dura muito tempo). É também nesta casa de Faial da Terra que Silvia, a sua ex-namorada rapexinha, o visita (grávida, embora ele ainda não o saiba), depois de ter sabido pela televisão que Rafael está vivo e de boa saúde (a fazer o bem, inclusive a impedir que um jovem se suicidasse) na casa da sua madrasta/amante. Silvia e Rafael despedem-se depois, confirmando o fim (por enquanto) da sua relação de casal, tendo como cenário o próprio Portinho de Faial da Terra.

Como curiosidade, conto-lhe que é aqui, em Faial da Terra, que começa um dos trilhos mais bonitos da ilha. É um trilho circular de 4,5 km que começa em Faial da Terra, passa pela impressionante cascata Salto do Prego para se refrescar (a água está gelada) – pode-se fazer um desvio para outra cascata chamada Salto do Cagarrão – e, já no final, passa por Sanguinho, uma bonita aldeia rural reabilitada onde é possível pernoitar.


Ponta Delgada
A capital da ilha é palco de várias cenas nas três temporadas da série, mas na última ganha especial importância. É em Ponta Delgada onde, «supostamente», se encontra a Esquadra onde trabalham a inspetora Frías e os restantes membros da Polícia de Ponta Delgada, como Banha e Francisco. É também na capital que se encontra a Prisão de Ponta Delgada, onde, na primeira temporada, Francesco Bonino é detido e posteriormente foge graças à ajuda do funcionário prisional corrupto, Morcela (Rafael Morais). Na segunda temporada há novidades sobre esta fuga e sobre este funcionário corrupto (para spoilers, ver ponto «Antena Marconi» deste post)…

Quando, na primeira temporada, a inspetora Frías se reúne com o Secretário-Geral da Região Autónoma dos Açores no Clube Micaelense, este local também se encontra na capital da ilha. Recordamos que é precisamente neste encontro que o Secretário-Geral profere uma das declarações mais contundentes da série sobre o esquecimento, a condescendência e o complexo de superioridade com que o “Portugal Continental” tem vindo a gerir qualquer assunto relativo à Região Autónoma dos Açores: «Foram precisos mais de 400 anos para que um rei português se dignasse a visitar o arquipélago».


Dizemos «supostamente» porque, como estas cenas foram filmadas em interiores, poderiam perfeitamente, ter sido filmadas em Lisboa ou Almada.
É na última temporada que o centro histórico de Ponta Delgada ganha especial destaque. A emocionante perseguição de carro de Natercia Bexiga e Billy Bob a Eduardo, passa por locais tão emblemáticos como as Portas da Cidade e os arcos da Praça Gonçalo Velho, onde Eduardo pára um pouco para descansar. A Igreja Matriz de São Sebastião é, sem dúvida, um dos cenários mais surpreendentes, pois é precisamente em frente a esta igreja que a figura de Cristo cai sobre o carro de Natercia e Billy, mesmo antes de uma procissão do Santo Cristo.

Na segunda temporada da série, é o passeio marítimo da capital que ganha maior destaque. É aqui, que com a carrinha da «Padaria da Vila», os jovens rapexinhos, carregados de dinheiro, quase atropelam a filha da inspetora Frias a atravessar a passadeira.


Aqui está o nosso guia completo da capital para não perder nada de Ponta Delgada:
Whalewatching, a aventura falhada de Silvia e Rafael
No início da última temporada, vemos que a Silvia e o Rafael compraram um barco para se lançarem no negócio da observação de cetáceos. No caso deles, não tiveram muita sorte, mas você pode ter (não no negócio, mas na observação de cetáceos…)!

O «Whalewatching» ou avistamento de cetáceos (golfinhos e baleias) no seu habitat, em pleno Oceano Atlântico, é uma das atividades que não deve perder em São Miguel. Já fizemos esta atividade três vezes na ilha – aliás até temos um post a explicar tudo o que precisa de saber para fazer esta atividade em São Miguel– e nunca deixa de nos surpreender. Aliás, gostamos tanto que também fizemos a atividade na ilha do Pico! Fico emocionada sempre que me lembro de ver aquela gigante linda, a baleia azul, com mais de 20 metros, a passar ao lado da nossa embarcação.

Na nossa última observação de baleias em São Miguel, tivemos a sorte de ver os dois maiores animais do mundo, a baleia-azul e a baleia-comum. Também fomos surpreendidos pelos curiosos e brincalhões golfinhos, por um cachalote residente e, como surpresa final, por orcas! Na ilha do Pico, tivemos a sorte de avistar três baleias «sardinheiras» (baleia-franca-do-norte ou baleia-boba), nada mais nada menos do que a terceira maior baleia do mundo, e vários golfinhos (contamos-lhe tudo no guia do Pico). Os Açores são um paraíso para a observação de cetáceos, por isso já sabe: reserve uma manhã da sua viagem para esta atividade.

Lembramos-lhe que o maravilhoso de ver animais em liberdade e no seu habitat de forma respeitosa e responsável implica que nunca se sabe o que se vai encontrar. Os Açores são um dos melhores locais do mundo para praticar esta atividade nesta época (março/abril) devido à diversidade da vida marinha, mas recomendamos-lhe: ajuste as suas expectativas (se for nesta época, certamente verá cetáceos, mas não há garantias de que os verá nem a que distância) e aumente a sua dose de paciência, porque nunca se sabe o que a natureza lhe vai oferecer nesse dia, mas lembre-se de que o simples facto de estar lá, já é um privilégio. Este foi o passeio que fizemos com a Futurismo e que podem reservar. No nosso caso, optámos por ir no Zodiac (não no catamarã) no turno das 8h00, mas depende sempre do dia, da época, das condições do mar e, claro, da sorte.
Ananases A Arruda
Quando, na segunda temporada, o grupo de rapexinhos está a divagar, juntamente com o contabilista Orlando (irmão de Arruda, tio de Silvia), sobre opções para transportar a droga sem que a polícia se aperceba, surgem várias possibilidades. Rafael coloca em cima da mesa a possibilidade de transportar a droga dentro de produtos típicos dos Açores (uma ideia já utilizada na primeira temporada, onde esconderam a droga em latas de atum dos Açores), sendo um dos produtos regionais de destaque o ananás.

O ananás de São Miguel é cultivado em estufas de vidro desde o século XIX, uma solução local que surgiu após o colapso do comércio de laranjas devido a doenças, com a primeira estufa «industrial» datada de 1864 e um desenvolvimento que chegou a milhares de estufas e exportações para a Europa. O método tradicional combina «camas quentes» orgânicas e o «fumo» (afumado) para sincronizar a floração, num ciclo lento de aproximadamente 18–24 meses que define o sabor intenso do chamado «Ananás dos Açores».
Na série, aparece especificamente uma plantação de ananases da ilha (na mente de Rafael quando considera a opção do ananás — uma ideia que, aliás, acaba tragicamente na sua cabeça e não segue em frente) que são as plantações de Ananases A Arruda.

A Ananases A Arruda é uma plantação histórica de ananases de Fajã de Baixo (Ponta Delgada), onde se pode visitar as estufas em diferentes fases de cultivo (propagação, crescimento, indução floral e maturação), um autêntico museu vivo desta cultura única, com entrada gratuita, loja e até um pequeno bar onde se pode provar o licor de ananás da casa e produtos derivados, como a cerveja de ananás!, bolo de ananás, hambúrguer com ananás assado e, claro, o próprio ananás, das plantações, cortado. Altamente recomendável.

Antena Marconi
Sabe aquele sítio onde o fugitivo italiano Monti tem a caravana estacionada, onde está a viver escondido e onde o funcionário prisional corrupto Morcela sabe perfeitamente onde ele está? Sim, esse mesmo, onde há uma antena gigante junto a uns pré-fabricados, para onde Morcela leva o uncle Joe Cunha e este lhe diz que o pode ajudar, que sabe onde estão as drogas e onde, sem saber, seria o início do (trágico) fim da vida de ambos às mãos dos narcotraficantes brasileiros (embora o fim do uncle Joe seja bastante mais altruísta do que o de Monti…).
Pois bem, esta localização é a chamada «Antena Marconi» de São Miguel e é uma grande antena parabólica de comunicações por satélite situada numa antiga estação técnica historicamente ligada à infraestrutura de rádio e telecomunicações operada em Portugal pela Companhia Portuguesa Rádio Marconi (CPRM). Atualmente, está fora de serviço e as instalações estão abandonadas e fechadas ao público em geral.

Costa Oeste de São Miguel
Uma das localizações mais difíceis, tanto para a Randomtrip como para os espectadores (não é fácil descobrir onde foi filmada) e, na ficção, para Arruda (que queria descobrir onde se escondiam Eduardo, Silvia e Carlinhos): a localização na ilha de São Miguel, da Cabana do Uncle Joe e arredores na primeira temporada. Como é sabido, o tio do maboy Eduardo (como ele chama o seu sobrinho), o uncle Joe (irmão da mãe de Eduardo, cunhado de Jeremiah), depois de passar vários anos detido numa prisão dos Estados Unidos, foi deportado para o seu país de origem, Portugal, e mais concretamente, para a ilha onde nasceu: São Miguel. E é precisamente na sua casa que se refugiam os três jovens, Eduardo, Sílvia e Carlinhos, que querem fugir tanto do vilão Arruda como da polícia.

Já está confirmado que a cabana não se encontra na ilha de São Miguel, mas sim em Mafra; mas as cenas filmadas na praia, onde Eduardo e Sílvia resolvem finalmente aquela tensão amorosa e sexual que se arrastou ao longo da temporada; onde os três têm alguns momentos de felicidade com o uncle Joe, em que cada um viaja para a sua infância; e onde Eduardo recebe a triste notícia do assassinato do seu pai; na Randomtrip apostamos (atenção, é apenas uma ideia) que seja na costa oeste de São Miguel. Essas cenas transportam-nos para a paisagem vulcânica da Praia de Mosteiros ou arredores; Ponta da Ferraria ou Ponta do Escalvado. Embora também possa ser uma cena da costa sul da ilha, perto de Feteiras.

Povoação e a sua Alameda dos Plátanos
Não é uma das zonas mais visitadas de São Miguel e, por isso, é ideal se procura tranquilidade. Deve ter sido isso que a inspetora Frias pensou quando foi à fotogénica Alameda dos Plátanos para correr e arejar a cabeça perante a espiral de vingança pelo rapto da sua filha, que se torna o principal motor da sua vida, levando-a até a abandonar a polícia e a fazer justiça pelas próprias mãos na última temporada.

É aqui, na Alameda dos Plátanos, que se desenrola uma cena muito importante para o desfecho da última temporada: é aqui que Paula Frías se encontra com Eduardo e este lhe conta o que descobriu sobre o desaparecimento da sua filha.
Lagoa do Fogo
Uma das paisagens mais impressionantes da ilha — e também a nossa lagoa favorita, por que negá-lo —, a Lagoa do Fogo, não só aparece como cenário entre cenas da série, como funciona quase como o fio que as une, tal como a lava que liga tudo. Além disso, assume um papel simbólico na cena final: o Vulcão do Fogo entra em erupção enquanto os quatro amigos rapexinhos o contemplam do mar, encerrando a série com uma imagem que pode ser interpretada como uma espécie de catarse e renascimento. Como se essa lava arrasasse tudo para dar lugar a algo novo: talvez uma ilha mais limpa de corrupção, e uma vida também mais limpa e esperançosa para os quatro jovens e para o resto da população de Rabo de Peixe.

Se, além dos locais aqui mencionados, quiser saber tudo o que ver e fazer na ilha de São Miguel, nos Açores, com roteiros específicos para um fim de semana ou uma semana na ilha, não perca o nosso guia completo (e gratuito!) de São Miguel com toda esta informação.
Bonus Track 1: Santa Maria, protagonista na segunda temporada de Rabo de Peixe
Na segunda temporada da série, há outra ilha dos Açores que ganha destaque: a vizinha ilha de Santa Maria, a ilha mais próxima de São Miguel.

Santa Maria é a avó dos Açores (a mais antiga geologicamente, na verdade nasceu duas vezes), conhecida como «o Algarve dos Açores» pelas suas extensas faixas de areia fina e pelo clima ameno e estável ao longo de todo o ano e, na última temporada de Rabo de Peixe, é uma protagonista importante.

Santa Maria aparece tanto no início da segunda temporada, quando um barco de pescadores resgata Rafael do mar (após a tentativa de homicídio de Arruda no final da primeira temporada, na qual, como sabemos depois, ele finge estar morto), como a meio da série, quando os traficantes de droga brasileiros os obrigam a transportar droga de São Miguel para Santa Maria e, após uma catarse entre Eduardo e Rafael no barco («Mas quem será, mas quem será o pai da criança», como diz a canção pimba portuguesa), ambos chegam, sãos e salvos, às pistas de aterragem do pequeno aeroporto de Santa Maria.

Curiosidade: Sabia que os dois primeiros concertos de Frank Sinatra na Europa foram nas ilhas açorianas da Terceira e de Santa Maria? Pois é, Sinatra atuou em Santa Maria (um dia depois de atuar na Terceira) em junho de 1945 (o ano em que terminou a Segunda Guerra Mundial) para os soldados americanos que se encontravam na ilha. A atuação foi no Atlântida-Cine, uma sala de cinema no aeroporto construída pelos militares aliados com capacidade para mais de 500 espectadores. Que ele tenha atuado na Terceira é-nos claro, devido à Base Militar das Lajes, mas porquê Santa Maria? No contexto da Segunda Guerra Mundial e nas negociações entre os EUA e Portugal (que era «supostamente» neutro na guerra, com as aspas no «supostamente»), decidiu-se que Santa Maria tinha um terreno ideal para construir uma pista de aviação, e assim foi. A propósito, uma vez terminada a guerra, passou a ser um aeroporto civil, o primeiro do arquipélago. Contamos-lhe mais curiosidades sobre esta ilha nesta secção do guia
A ilha de Santa Maria foi uma das melhores surpresas que tivemos nas nossas várias viagens ao arquipélago dos Açores e recomendamo-la vivamente. Se ficar curioso, aqui tem o nosso guia completo e gratuito para conhecer Santa Maria:
Bonus Track 2: Kennedy e o Vulcão de Capelinhos, a ilha do Faial na última temporada de Rabo de Peixe
Na última temporada da série há uma referência histórica importante que pode passar despercebida se não conhecer a história recente dos Açores e se não tiver visitado Faial, a ilha açoriana com o pedaço de terra mais recente de Portugal.

Quando roubam a prata decorativa do presidente norte-americano Kennedy a Rebelo (descobrimos mais tarde na trama que o ladrão é o polícia corrupto Banha), a personagem explica a importância que essa prata tem para ele, e conta de forma superficial, o quão crucial foi o decreto de Kennedy (e os vistos que foram concedidos) e que transformaram para sempre a história migratória da população açoriana.
Acontece que o Vulcão de Capelinhos, na ilha do Faial, entrou em erupção em 1957 durante 13 meses, expelindo material suficiente para unir a nova ilha ao continente, aumentando a superfície do Faial em 2,4 km². Esta superfície é a terra mais jovem de Portugal e toda esta zona protegida é um dos geossítios do Geoparque dos Açores.

Não houve vítimas mortais devido ao vulcão dos Capelinhos, graças à evacuação das populações mais próximas, mas a destruição de casas e terras agrícolas levou à emigração de mais de 10 mil pessoas do Faial (cerca de metade da população da ilha) para os EUA. O decreto-lei norte-americano apresentado ao Congresso por John F. Kennedy em 1958, a Azorean Refugee Act, concedeu 1.500 vistos às famílias afetadas, embora, na realidade, nas décadas seguintes, tenham acabado por emigrar mais de 175.000 pessoas dos Açores (de várias ilhas) para os EUA e o Canadá, mais de 30% da população açoriana. Uma dessas famílias era a família de Rebelo, personagem de «Rabo de Peixe» na última temporada.
Para além de Capelinhos, o Faial é uma ilha com muito para descobrir, como a sua impressionante Caldeira, e a sua capital, a Horta, é um ponto de encontro de veleiros que atravessam o Atlântico, tornando-a uma das cidades mais cosmopolitas do arquipélago (se não a mais), que sempre esteve muito aberta a receber a gente do mar. Deixamos aqui o nosso guia completo de Faial, caso se sinta motivado a visitá-la:
O sucesso da primeira temporada da série Rabo de Peixe foi tal que estreou a 26 de maio de 2023 e, a 15 de junho de 2023, a Netflix já anunciava uma segunda temporada, que estreou no passado dia 17 de outubro de 2025. A terceira e última temporada estreou a 10 de abril de 2026. Se também é fã, viaje para a ilha e se se aproximar de algum destes locais, tenha cuidado para não se apaixonar demasiado, porque São Miguel é viciante!
Aviso: Todos os locais de filmagem mencionados neste artigo são da autoria da Randomtrip que, tendo reconhecido estes locais das cenas dos episódios da série após uma viagem de dois meses (em 2021) e outra de um mês e meio (em 2025) pelos Açores (das quais 3 semanas em São Miguel e uma semana em Santa Maria), criou este artigo. Estas localizações não foram confirmadas pela produtora Ukbar Filmes. Todas as fotos e textos deste artigo são propriedade da Randomtrip, com todos os direitos reservados (exceto a única foto propriedade da Netflix, mencionada como tal). É possível ver alguns dos locais de filmagem da primeira temporada com áudios e informações na app VizitAR (iOS, Android)

