Rabo de Peixe ( 2023-2025), Mar Branco no Brasil e Turn of the Tide, título em inglês, foi a primeira série portuguesa a entrar para o Top 10 Mundial de séries de língua não-inglesa da Netflix e é ambientada num dos nossos sítios preferidos do Mundo, os Açores. Dois fatores que por si só já nos chamaram a atenção para começar a ver o primeiro episódio. Depois, da primeira cena até acabar a primeira temporada, foi uma maratona de fim-de-semana. Assim que a segunda temporada foi lançada, outra maratona por nós foi alcançada.

Atenção, este artigo contém spoilers da primeira e da segunda temporada da série Rabo de Peixe.

Farol de Arnel: é no farol mais antigo dos Açores que se desenvolve uma das cenas mais trágicas da primeira temporada da série Rabo de Peixe, da Netflix. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

A série de ficção criada por Augusto Fraga tem como ponto de partida um evento que efectivamente aconteceu na ilha de São Miguel em 2001 quando um navio que transportava droga naufragou e fez com que a maré arrastasse meia tonelada de cocaína (505,84 kg de cocaína com uma pureza superior a 80%) à costa norte da ilha de São Miguel, nos Açores e, mais específicamente, à vila de Rabo de Peixe, uma das mais pobres do país naquela altura. É um daqueles momentos na história em que a realidade supera a ficção e, neste caso e na nossa opinião, esta equipa soube agarrar num evento real e criar uma ficção viciante de sete episódios unindo um enredo cheio de suspense, um incrível trabalho de atores e atrizes e uma fotografia impressionante na deslumbrante ilha de São Miguel.

Se é fã da série e vai à brevemente à ilha de São Miguel ou até se foi precisamente a série que lhe abriu o apetite para conhecer a maior ilha dos Açores, neste artigo encontrará os principais locais das cenas mais especiais da aventura protagonizada pelo maboy Eduardo (José Condessa), pela Sílvia (Helena Caldeira), pelo Rafael (Rodrigo Tomás) e pelo Carlinhos (André Leitão), 4 jovens rapexinhos à procura de uma vida diferente.

Eduardo (José Condessa), Sílvia (Helena Caldeira), Rafael (Rodrigo Tomás) e Carlinhos (André Leitão), quatro jovens de Rabo de Peixe (São Miguel, Açores) cujas vidas estão prestes a mudar. Foto da Netflix

Nada nesta aventura de sete episódios da primeira temporada seria o mesmo sem o temível e sem escrúpulos Arruda (brilhantemente interpretado por Albano Jerónimo) e o seu súbdito Zé do Frango (Dinarte de Freitas), os mafiosos Francesco Bonino (Marcantónio del Carlo), “il padrino” Monti (Francesco Acquaroli) e, claro, o padre António (Miguel Damião) que abre a primeira cena do primeiro episódio.

Os jovens rapexinhos (termo carinhoso para definir quem é de Rabo de Peixe, proferido com orgulho pelos personagens) contam ainda com a ajuda da Bruna (Kelly Bailey) e do Ian (Afonso Pimentel) apesar da incessante procura de justiça da inspectora Frias da Polícia Judiciária do “continente” (Mª João Bastos), do polícia local Francisco (Salvador Martinha) e do seu superior Banha (João Pedro Vaz). A primeira temporada acaba em grande com a ajuda do pirotécnico uncle Joe Cunha (Pepê Rapazote).

Nos seis episódios da segunda temporada, destaca-se a participação da estrela brasileira Paolla Oliveira no papel da narcotraficante Ofelia e do seu compatriota, o ator Caio Blat, como o sanguinário Fagner (com F!). Também o grande José Raposo no papel de Orlando, o contabilista sem escrúpulos (ou não fosse irmão do Arruda…), para quem supostamente a família está sempre em primeiro lugar (spoiler: não, não está) e o irreconhecível Ricardo Pereira no papel de Mike, vendedor da High Powder (e comprador de outro tipo de pó…).

O corrupto comendador João Canto Moniz, o «Rockefeller dos Açores» é desempenhado por, nada mais e nada menos, Joaquim de Almeida, um dos atores portugueses mais internacionais que já participou em várias superproduções de Hollywood (poderiamos dizer que é algo assim como o nosso Benicio del Toro? – comparação livre e totalmente subjetiva, de inteira responsabilidade da Randomtrip). A acompanhá-lo no último episódio está a que é nomeada a próxima governadora regional dos Açores, a grande atriz Vitoria Guerra, que talvez lhe seja familiar pela sua participação na série Auga Seca (que, aliás, também adorámos). Para quem não é de Portugal, talvez não seja tão familiar, mas certamente os telespectadores portugueses ficaram muito entusiasmados com a participação especial do grande Ruy de Carvalho, um dos maiores atores portugueses, que aceitou uma participação especial em Rabo de Peixe, aos seus 98 anos, numa curta cena como obstetra da Silvia.

Rabo de Peixe, São Miguel. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Apesar de algumas partes da série terem sido gravadas em Mafra, Almada ou Lisboa, particularmente em espaços interiores como o Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses, a série ambienta-se na açoriana ilha de São Miguel e as paisagens da ilha verde fizeram com que a própria ilha se convertesse numa das protagonistas da série e das responsáveis pelo seu sucesso mundial.

A Lagoa das Sete Cidades e, mais concretamente, as ruínas do Hotel Monte Palace, onde se encontra Inês, são um dos cenários mais importantes do desfecho da primeira temporada da série Rabo de Peixe (Netflix). (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Locais de filmagem da série Rabo de Peixe na ilha de São Miguel

Mapa com todos os locais mencionados neste artigo

Deixamos aqui um mapa do Google Maps com os locais mencionados neste artigo:

Rabo de Peixe e Porto Formoso

Claro que a primeira localização mencionada no artigo tem de ser a vila de Rabo de Peixe, no município da Ribeira Grande, na costa norte da ilha de São Miguel. Uma vila humilde de 8800 habitantes e casinhas de pescadores onde, em 2001, a maré arrastou meia tonelada de cocaína, evento que alterou sociológicamente a pacata vila, uma das que apresentavam os maiores índices de pobreza de Portugal esse ano, e a partir do qual se desenvolve o enredo.

Uma rua colorida de Rabo de Peixe. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Na série de ficção Rabo de Peixe é precisamente nesta vila onde vivem os quatro protagonistas, Eduardo, Sílvia, Rafael e Carlinhos; onde se encontra o videoclube “America” (apesar do néon da letra A estar sempre apagada) onde trabalha a Sílvia; onde teve lugar, na primeira temporada, o concerto de Sandro G com o seu êxito “Eu não vou chorar”, concerto no qual Sílvia sofre uma overdose; e prácticamente a localização central de toda a série.

America (sem o «A»), o videoclub onde a Silvia trabalha na primeira temporada de Rabo de Peixe. Aqui, uma foto da nossa última viagem a Rabo de Peixe, em 2025, em frente ao local. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

No entanto, no que diz respeito ao local das filmagens, na Randomtrip acreditamos que a maioria das cenas que correspondem na série à localidade de Rabo de Peixe foram na verdade filmadas em Porto Formoso, outra localidade do mesmo município, a 18 km de Rabo de Peixe.

Uma rua de Porto Formoso, São Miguel, com a igreja ao fundo. Grande parte das cenas da série que se referem a Rabo de Peixe foram realmente gravadas aqui, em Porto Formoso (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Pavilhão polidesportivo São Pedro Gonçalves (Rabo de Peixe)

Em quase todos os episódios onde se grava a compra e venda de cocaína em Rabo de Peixe, há um local central onde a ação de desenrrola: ao lado de um campo de futebol. Trata-se do Polidesportivo São Pedro Gonçalves, perto do mar e com os edifícios coloridos por trás. O local onde Arruda e Zé tantas vezes estacionam o carro para controlar todos os movimentos encontra-se aqui.

Campo de Futebol de Rabo de Peixe. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Foi em Rabo de Peixe, mais específicamente no restaurante Botequim Açoriano, que provámos o melhor bife de atum dos nossos 2 meses de viagem pelas 9 ilhas dos Açores. Como dado curioso, dizer-lhe que o restaurante tem vistas para outro dos locais de filmagem da série: o cemitério de Rabo de Peixe onde está enterrada a mãe de Eduardo, Fátima (Daniela Ruah) e, posteriormente, onde é enterrado o pai do Eduardo, Jeremiah (Adriano Carvalho).

O cemitério de Rabo de Peixe, onde estão enterrados os pais de Eduardo e onde ele é capturado pela polícia na primeira temporada. Na foto, o cemitério visto da janela do restaurante Botequim Açoriano. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Esperemos que a série atraia um turismo respeituoso para os Açores (mais específicamente para a ilha de São Miguel), arquipélago detentor de sublime beleza e de um povo maravilhoso, e que não enverede por uma vertente de narcoturismo que vivemos, infelizmente, na nossa viagem à Colômbia (mais específicamente na cidade de Medellín). O país colombiano sofreu e sofre com o estigma da toxicodependência e do tráfico de droga avivado pela série de sucesso Narcos da Netflix, em detrimento da heterogeneidade, beleza e pessoas encantadoras do país. Na nossa opinião, neste tipo de turismo, o mórbido supera a memória histórica e, dado que promovemos o turismo responsável, o nosso conselho é que não contribua e não seja cúmplice deste tipo de turismo (que por sua vez também é turismo irresponsável) caso surja a possibilidade.

Porto Formoso

Juntamente com a vila de Rabo de Peixe, o porto é o espaço onde se desenrolam algumas das cenas mais importantes do enredo da série. O que talvez não saiba é que o famoso porto da série Rabo de Peixe é o Porto Formoso, também parte do município da Ribeira Grande, a 18 km de Rabo de Peixe. É neste porto onde se vê parte da população de Rabo de Peixe a recolher as embalagens de cocaína que arrastou a maré. É também neste porto que se vê a detenção do traficante da mafia italiana Francesco Bonino; onde Eduardo e Rafael saem com a sua embarcação; e onde Arruda “mata” a Rafael a uns metros da costa (aspas imprescindíveis, se já viu a segunda temporada).

O porto de Porto Formoso, cenário central da série. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Como curiosidade, dizer-lhe que é perto desde porto onde se encontram algumas das únicas plantações de chá da Europa e as duas últimas fábricas de chá na Europa: a Fábrica de Chá do Porto Formoso e a mais famosa, a Fábrica de Chá Gorreana. A visita à fábrica de chá de Porto Formoso é gratuita e todos os anos, na primavera, é levada a cabo uma recriação da colheita de chá ao estilo antigo, trajes típicos incluídos.

Plantações de chá de Porto Formoso. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)
Plantações de chá de Porto Formoso. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

De facto, é precisamente entre as plantações de chá da Fábrica de Chá Gorreana que (na segunda temporada) o uncle Joe Cunha encontra o seu amigo e ex-companheiro de cela na prisão dos EUA, pois é aqui que ele vive com a sua filha (e a quem querem expulsar das terras onde vivem).

Inês entre as plantações de chá de Gorreana (São Miguel, Açores). (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)
Gorreana, uma das mais antigas fábricas de chá da Europa. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Igreja de Porto Formoso

Também é em Porto Formoso onde se encontra outro importante local de filmagem, tão importante que é onde ocorre a primeira cena do primeiro episódio: na igreja. Apesar do enredo da série ser em Rabo de Peixe e da primeira cena ser, segundo os diálogos dos personagens, na “Igreja de Rabo de Peixe”, realmente a igreja que aparece na série é a bonita Igreja de Porto Formoso, ou melhor, Igreja da Nossa Senhora da Graça.

A igreja de Porto Formoso, onde o padre António sofre uma overdose na primeira temporada da série. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

É nesta igreja que, na primeira temporada, o padre António tem uma overdose enquanto celebra uma missa; é aqui também que tem lugar uma das conversas mais interessantes entre Carlinhos e o padre António e um dos momentos musicais mais bonitos da série quando André Leitão canta e toca ao piano a música “A Little Respect” dos Erasure; é também precisamente aqui nesta igreja onde o mafioso Monti sequestra Carlinhos.

Praia do Monte Verde

A Praia do Monte Verde ganha especial destaque na segunda temporada, pois é aqui que o grupo de amigos rapexinhos comemora, com champanhe (ou, provavelmente, espumante), ter conseguido vender toda a droga a Mike (o vendedor de um tipo de pó e comprador de outro), interpretado por Ricardo Pereira.

Praia de Monte Verde. Foto da Câmara Municipal da Ribeira Grande (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Esta praia, tal como Rabo de Peixe e Porto Formoso, também pertence ao município da Ribeira Grande, o município surfista por excelência, e fica bastante perto de ambas as localidades.

Pôr do sol em Tuka Tulá, Santa Bárbara, Ribeira Grande. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Furnas: Caldeiras, Lagoa das Furnas e Parque da Grená

Umas das cenas mais angustiantes da primeira temporada de Rabo de Peixe é quando o vilão Arruda, num ato de vingança por possível traição e desconfiança de um dos seus súbitos, Zé dos Frangos, o empurra para dentro de uma das fumegantes caldeiras vulcânicas das Furnas.

Um dos buracos no chão onde Zé foi «cozinhado»… (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Furnas é uma das zonas mais antigas da ilha de São Miguel, formada há aproximadamente 750.000 anos, e também a zona a mais visitada. Porquê? O “Vale das Furnas” encontra-se na cratera do vulcão das Furnas, um dos três vulcões ainda activos e o maior da ilha de São Miguel.

Caldeiras vulcânicas em Furnas (São Miguel, Açores), um dos cenários mais macabros de toda a série Rabo de Peixe, que muda a vida de Zé do Frango para sempre… (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)
As caldeiras em ebulição de Furnas lembram-nos constantemente que estamos sobre um vulcão ativo, embora adormecido. E Arruda sabe disso muito bem… (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

E é precisamente junto à Lagoa das Furnas que existem alguns buracos no chão com “tampas” (como a que se vê o Arruda a fechar com o Zé lá dentro) que são autênticas cozinhas naturais onde é preparado um famoso prato da ilha: o “Cozido das Furnas“! Depois de introduzir todos os ingredientes de um “cozido à portuguesa” (carne, enchidos, legumes), a panela é envolta num pano de linho e um simpático micaelense (ao contrário do Arruda) baixa a panela cuidadosamente num dos buracos da caldeira onde o calor vulcânico se encarregará de a cozinhar.

A impressionante lagoa de Furnas vista do miradouro do Pico do Ferro. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Há que ter paciência porque o Cozido das Furnas demora várias horas até estar pronto, e se calhar foi isto que salvou o Zé…. Para que tenha uma ideia, normalmente o cozido que é servido nos restaurantes das Furnas à hora do almoço (a partir das 12:00h), e está na caldeira desde as 4:00h da manhã.

Aqui cozinham-se os famosos Cozidos das Furnas e, na série Rabo de Peixe, não só…(Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Os restaurantes mais conhecidos para experimentar o Cozido das Furnas são o Tonys, o Vale das Furnas e o Caldeiras e Vulcões (onde também oferecem um cozido vegetariano). O preço do cozido ronda os 15 euros.

Além disso, parece-nos que outra faceta da Lagoa das Furnas aparece na segunda temporada da série. Embora não tenhamos 100% de certeza, no Randomtrip apostaríamos que é precisamente a floresta de criptomérias japonesas do Parque da Grená, à beira da Lagoa das Furnas, que testemunha os encontros entre a inspetora Frias e o seu informador, Eduardo, onde ele conta à Polícia Judiciária os próximos passos dos narcotraficantes brasileiros e o plano de chegada da carga de cocaína proveniente da Colômbia.

Floresta de cryptomerias japonesas do Parque da Grená, onde Eduardo informava a inspetora Frias sobre os próximos passos dos narcotraficantes Ofelia e Fagner. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Aproveitamos para lembrar que é precisamente das águas vulcânicas de Furnas que surgem vários paraísos termais de São Miguel, como o Parque Terra Nostra, a Poça Dona Beija ou a Poça da Silvina, e embora nenhum deles tenha sido escolhido para aparecer na série, há um local de águas termais que apareceu, noutro ponto da ilha, do qual falaremos a seguir.

Caldeira Velha: paraíso termal da segunda temporada de Rabo de Peixe

Se já viu a segunda temporada da série, certamente que o ambiente paradisíaco de umas termas onde Ofélia, a narcotraficante brasileira, e Fagner estão a conversar e a relaxar não lhe passou desapercibido. Mais tarde, na série, também na segunda temporada, aparece no mesmo paraíso termal a filha da inspetora Frias. Bem, temos boas notícias para si, identificámos perfeitamente este paraíso e chama-se…: Caldeira Velha.

Caldeira Velha, paraíso termal da segunda temporada de Rabo de Peixe. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Este jardim rico em plantas endémicas convida a respirar fundo e terminar debaixo de uma cascata de água quente e talvez por isso tenha sido o local escolhido por Ofélia para tentar abstrair-se de que algo poderia correr mal em todo o processo de transporte de drogas gerido pela sua equipa e pela equipa de rapexinhos (e spoiler: ela tinha razão em querer relaxar, pois correu mesmo mal, especialmente para ela). A temperatura nesta piscina ronda os 25º e, nas restantes três piscinas termais, a água está entre os 37º e os 39º. O ambiente é incrivelmente bonito.

Ilhéu de Vila Franca do Campo e Vila Franca do Campo

No meio da costa sul da ilha situa-se o mais antigo município de São Miguel, capital da ilha até 1522, Vila Franca do Campo e a cerca de 500 metros da costa encontra-se o Ilhéu de Vila Franca ou, como também é conhecido, o “anel da princesa”, devido à sua forma. Este ilhéu é um antigo vulcão submerso onde a sua cratera inundada forma um círculo quase perfeito, com uma pequena abertura para o mar.

Ilhéu de Vila Franca, o Anel da Princesa, visto por drone. Foto de Alexandre Balas em Futurismo.pt

É precisamente neste ilhéu que, na primeira temporada de Rabo de Peixe, Eduardo e Rafael escondem a cocaína para que Arruda não a possa confiscar. É também neste ilhéu que descobrimos que afinal Eduardo e Jeremiah não matam o mafioso Monti já que o mafioso reaparece no ilhéu e é descoberto por um grupo de escuteiros, a quem acaba por roubar a embarcação para regressar a São Miguel.

A Inês a tomar uma bela banhoca em pleno ilhéu de Vila Franca do Campo, onde foi encontrado o mafioso Monti pelo grupo de escuteiros. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Nesta “reaparição” de Monti no ilhéu de Vila Franca há uma cena, à noite, em que ele manda calar os cagarros, parte imprescindível da banda sonora de qualquer viagem aos Açores.

O ilhéu de Vila Franca encontra-se a cerca de 500 metros da costa por isso o mafioso Monti roubou a pequena embarcação aos escuteiros para regressar a São Miguel. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Os cagarros são uma ave migratória que nidifica nos Açores cujo particular canto de “awa awa” (quase como se entoassem o refrão da música Video Killed the Radio Star), não deixa ninguém indiferente. Caso viaje brevemente aos Açores, saiba que de modo a evitar situações de captura ou atropelamento de cagarros jovens na estrada, o Governo dos Açores promove anualmente a Campanha SOS Cagarro que aconselhamos conhecer quando chegar ao arquipélago.

Dois turistas a fazer exatamente o mesmo percurso que Eduardo e Rafael fizeram para esconder a droga e que o mafioso Monti fez para voltar à ilha: o percurso entre São Miguel e o ilhéu de Vila Franca. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Na segunda temporada, Vila Franca do Campo ganha mais destaque do que o seu ilhéu (do qual continuam a aparecer imagens de drone entre as cenas). Vila Franca do Campo é o município mais antigo de São Miguel e foi a capital da ilha até 1522.

É nesta bonita localidade de ruas estreitas em direção ao mar que Carlinhos encontra o padre (com quem se envolve na primeira temporada) pela primeira vez desde o seu regresso dos EUA e onde, em seguida, vai a uma farmácia para tentar encontrar o opioide que começou a tomar para a sua dor crónica na mão e ao qual desenvolveu uma dependência. Ao não conseguir (a farmacêutica diz-lhe que esse medicamento nem sequer é comercializado em Portugal, remetendo para a falta de controlo dos medicamentos nos EUA e o grave problema que têm com os opiáceos no país há décadas), Carlinhos acaba por comprá-lo no mercado negro. A farmácia em questão é a Farmácia Amaral, facilmente identificável, pois fica ao lado da Igreja do Senhor Bom Jesus da Pedra, em Vila Franca do Campo.

Vila Franca do Campo vista da Ermida de Nossa Senhora da Paz e do seu miradouro. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

De facto, quando Carlinhos está bastante mal, prestes a sofrer uma overdose (pouco antes de Eduardo aparecer para salvá-lo e iniciar o processo de desintoxicação na cabana, sob a supervisão do uncle Joe), o que lhe dão para aumentar o seu nível de açúcar é precisamente uma queijada de Vila Franca do Campo.

Queijadas do Morgado en Vila Franca do Campo, ideales después de un chapuzón en el islote de Vila Franca
Queijadas do Morgado em Vila Franca do Campo, ideais depois de um mergulho no ilhéu de Vila Franca (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Farol do Arnel

O local da ilha onde ocorrem das cenas com mais ação e também das mais trágicas neste enredo na primeira temporada é o Farol do Arnel. Este farol é o farol mais antigo dos Açores, instalado em 1876 (ainda funciona actualmente, embora automatizado, sem faroleiro in situ) e para o visitar é preciso descer uma estradinha estreita e íngreme (35% de inclinação) onde ocorre o tiroteio entre os escandinavos Magnussons e Arruda e seus súbditos. É aqui que os escandinavos se apercebem que Arruda lhes está a tentar vender farinha com açúcar em vez de cocaína, e que Arruda se apercebe que foi enganado por Ian, por Bruna, por Eduardo (ou como lhe chama Arruda, “quarta-feira“), pela sua filha Sílvia e pelo seu súbdito Zé, a modo de vingança.

O Farol de Arnel é testemunha de um dos episódios mais trágicos da primeira temporada da série Rabo de Peixe. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Ao contrário dos personagens na série, no Randomtrip não recomendamos fazer esta estradinha até o farol de carro (até pode arriscar mas saiba que carros menos potentes podem ter problemas a subir e se cruzar com outro veículo no caminho na subida pode ser um drama, ainda que não tão trágico como o de Rabo de Peixe). Pode deixar o carro estacionado em cima, na estrada prinicipal (EN1-1A), e descer a pé, é um bom exercício. Se quiser entrar no farol para prestar homenagem ao sítio onde morreu o Zé, uma das personagens mais queridas da série, poderá fazê-lo às quintas-feiras (das 14:00h às 17:00h no Verão, e das 13:30h às 16:30h no Inverno).

O Farol do Arnel visto do miradouro da Vista dos Barcos. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Não saia desta zona sem contemplar a panorâmica que oferece o Miradouro da Ponta do Arnel onde terá vistas incríveis do farol e da zona circundante, e até mesmo uma cascata a que poderá ir, a Cascata da Ponta do Arnel.

Chris no miradouro de Ponta do Arnel. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)
Vistas do miradouro de Ponta do Arnel. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Este farol insere-se numa das nossas zonas preferidas da ilha de São Miguel, o Nordeste. Antigamente era tão complicado chegar ao Nordeste pelas estradas que existiam e o tempo que se demorava a lá chegar que era conhecida como a “décima ilha” dos Açores. Actualmente, com a melhoria das estradas e as paisagens incríveis que oferece, está cada vez mais na rota turística de quem visita a ilha verde.

Um dos miradouros que mais nos impressionou em São Miguel, o Miradouro da Ponta do Sossego, no Nordeste. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Miradouro e Cascata das Lombadas

Logo no início da segunda temporada de Rabo de Peixe, vemos um cãozinho a ser abandonado na ilha de São Miguel (uma prática criminosa infelizmente comúm em Portugal) no miradouro (e cascata) das Lombadas. Embora não tenhamos a certeza absoluta desta localização, a vista panorâmica com a cascata ao fundo foi o que nos fez apostar nesta zona. O miradouro das Lombadas oferece uma vista panorâmica sobre o vale fluvial a nordeste do vulcão do Fogo e a cascata das Lombadas, visível no vale, apresenta um salto principal de cerca de 45 metros.

Miradouro e Cascata das Lombadas. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Outro cenário que aparece bastante entre as cenas, sobretudo na segunda temporada da série Rabo de Peixe, é a impressionante Lagoa do Fogo, uma das nossas favoritas e relativamente próxima de Lombadas.

Lagoa do Fogo. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Hotel Monte Palace e Lagoa Sete Cidades

Há algo de poético e sinistro nos edifícios abandonados que nos faz imaginar outras vidas que passaram por ali e as poderão vir a passar. Talvez por isso as ruínas do Hotel Monte Palace tenham sido o cenário escolhido para umas das cenas mais importantes do desenredo da primeira temporada da série Rabo de Peixe: o encontro entre as forças policiais e o mafioso Monti, que (spoiler alert) finalmente consegue escapar.

As ruínas do Hotel Monte Palace tinham o seu atractivo turístico como a maioria de espaços abandonados, o que fez com que várias pessoas fossem até lá matar a curiosidade. Actualmente a propriedade já foi adquirida pelo grupo imobiliário Level Constelation e a entrada está interdita ao público. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

O edifício do Hotel Monte Palace, em frente ao incrível Miradouro da Vista do Rei e a sua panorâmica da Lagoa das Sete Cidades (o que ainda lhe confere mais foto e videogenia), conta histórias daquele que foi um hotel de luxo que abriu em 1989 (aparentemente 6 anos mais tarde do que o previsto) e fechou menos de 2 anos depois devido a problemas financeiros.

A entrada do antigo Hotel Monte Palace, São Miguel. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

O terraço no último andar oferece vistas impressionantes à Lagoa das Sete Cidades e sabendo que recentemente o grupo imobiliário Level Constelation adquiriu o hotel para, esperemos, convertê-lo em algo bonito (e, esperemos, o mais sustentável que puder ser um hotel) apesar de atualmente não ter segurança ou sinalização, deve saber que é propriedade privada e a sua entrada é proibida.

Vistas da varanda do antigo Hotel Monte Palace para a Lagoa das Sete Cidades. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Este hotel está em frente de uma das lagoas más bonitas e fotogénicas da ilha de São Miguel, a Lagoa das Sete Cidades. Embora possa parecer que são duas lagoas juntas, uma verde e outra azul, na verdade trata-se apenas uma lagoa com aguas verdes de um lado e aguas azuis de outro, de diferentes profundidades e concentração de algas, que não se misturam. Há uma lenda associada a esta lagoa de onde vem o seu nome. Pode ler sobre esta lenda no nosso completo guia da ilha de São Miguel.

Inês na incrível Lagoa das Sete Cidades. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Para além das ruiínas do Hotel Monte Palace, parece-nos que a Lagoa das Sete Cidades ganha ainda mais protagonismo na segunda temporada da série Rabo de Peixe. Embora não possamos afirmar com toda a certeza, no Randomtrip apostaríamos que é precisamente nesta lagoa, mais especificamente numa zona chamada Jardim da Lagoa Azul, que o cão abandonado no início da segunda temporada se encontra com alguns (assustados) escuteiros enquanto corre com a mão do cadáver de Arruda na boca. Por outro lado, será que o argumentista e realizador da série, Augusto Fraga, foi escuteiro na sua infância? Porque os escuteiros aparecem sempre na série em cenas importantes da narrativa. Lembre-se que foram também os escuteiros que encontraram o mafioso Monti na primeira temporada…

Sete Cidades do outro lado, na nossa recente viagem à ilha em 2025. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Faial da Terra: o refúgio de Rafael

Outra localidade que é uma novidade na segunda temporada é Faial da Terra, onde Rafael Medeiros se refugia depois de ser encontrado vivo, em alto mar, por um barco de pescadores (e depois de – segundo a narrativa da série – voltar de uma breve paragem em Santa Maria, para onde os pescadores se dirigiam primeiro, antes de regressarem a São Miguel). É aqui que vemos Rafael, enrolado num cobertor como se tivesse acabado de atracar no porto abaixo (o Portinho de Faial da Terra), chegar à casa de Lídia (a viúva do seu pai?), que cuida dele até que ele «sinta o chamado do Senhor», se tente tornar noutra pessoa, alguém com uma vida livre de drogas e que chega até a ser líder do movimento antidrogas da ilha (spoiler alert: essa tentativa de uma nova vida não dura muito tempo…). É também nesta casa de Faial da Terra que Silvia, a sua ex-namorada rapexinha, o visita (grávida, embora ele ainda não saiba), depois de ter ficado a saber pela televisão que Rafael está vivo e de boa saúde (e a praticar o bem, impedindo inclusivé um jovem de se suicidar) na casa da sua madrasta/amante. Silvia e Rafael despedem-se, confirmando o fim (nesse momento) da sua relação, no mesmo Portinho de Faial da Terra como tela de fundo.

Faial da Terra
Faial da Terra, a terra onde Rafael se refugia e começa a tentar tornar-se uma pessoa livre de drogas (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Como curiosidade, dizer que é aqui em Faial da Terra que começa um dos trilhos mais bonitos da ilha. É um trilho circular de 4,5 km que começa em Faial da Terra, passa pela impressionante cascata Salto do Prego para se refrescar (a água é gelada mas sabe bem depois do passeio) – pode-se fazer um desvio para outra cascata chamada Salto do Cagarrão – e, ao terminar, passa por Sanguinho, uma bonita aldeia rural restaurada onde é possível ficar a dormir.

Ponta Delgada

A capital da ilha é onde, “supostamente”, se encontra Polícia Judiciária onde trabalham a inspectora Frias (que vem do continente propositadamente para ajudar neste caso) e os restantes membros da Polícia Judiciária de Ponta Delgada como Banha e Francisco. É também na capital onde se encontra o Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada onde está detido Francesco Bonino e, posteriormente, fugido graças à ajuda do guarda prisional corrupto Morcela (Rafael Morais). Na segunda temporada da série há novidades sobre esta fuga e sobre este funcionário corrupto (para Spoilers, ver ponto “Antena Marconi” deste artigo)…

Portas da Cidade de Ponta Delgada. Se tiver curiosidade ou for viajar para a capital da ilha, dê uma vista de olhos ao nosso guia completo da cidade de Ponta Delgada e arredores. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Quando a inspectora Frias se encontra com o Secretário Geral da Região Autónoma dos Açores no Clube Micaelense, também este local se encontra na capital micaelense. Recordamos que é precisamente neste encontro que o Secretário Geral profere uma das afirmações mais contudentes da série relativamente ao esquecimento, condescendência e complexo de superioridade com que o continente tem vindo a gerir qualquer questão relativa à Região Autónoma dos Açores: “Foram precisos mais de 400 anos para que um rei português se dignasse a visitar o arquipélago”.

Dizemos «supostamente» porque, como estas cenas foram filmadas em interiores, poderiam perfeitamente ter sido filmadas em Lisboa ou Almada.

Na segunda temporada da série, é o passeio marítimo da capital que ganha mais protagonismo. É aqui que, com a carrinha da «Padaria da Vila», os jovens rapexinhos, carregados de dinheiro, quase atropelam a filha da inspetora Frias ao atravessar a passadeira.

Passeio marítimo de Ponta Delgada (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)
Portas do Mar, Ponta Delgada (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Aqui está o nosso guia completo da capital para não perder nada em Ponta Delgada:

Ananases A Arruda

Quando o grupo de rapexinhos está a divagar, junto com o contabilista Orlando (irmão de Arruda, tio de Silvia), sobre opções para transportar a droga sem que a polícia descubra, surgem várias opções. Rafael coloca em cima da mesa a possibilidade de transportar a droga dentro de produtos típicos dos Açores (uma ideia já usada na primeira temporada, onde esconderam a droga em latas de atum dos Açores), sendo um dos produtos regionais estrela o ananás.

O ananás, produto estrela dos Açores. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

O ananás de São Miguel é cultivado em estufas de vidro desde o século XIX, uma solução local após o colapso do comércio de laranjas devido a doenças, com a primeira estufa «industrial» datada de 1864 e um desenvolvimento que chegou a milhares de estufas e exportações para a Europa. O método tradicional combina «camas quentes» orgânicas e o «fumo» (fumagem) para sincronizar a floração, num ciclo lento de aproximadamente 18 a 24 meses que define o sabor intenso do denominado «Ananás dos Açores».

Na série, aparece especificamente uma plantação de ananases da ilha (na mente de Rafael, quando ele considera a opção do ananás – uma ideia que, aliás, acaba tragicamente na sua cabeça e não vai adiante) que são as plantações da Ananases A Arruda.

Plantação de Ananases A Arruda. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Ananases A Arruda é uma plantação histórica de ananás de Fajã de Baixo (Ponta Delgada), onde pode percorrer as estufas em diferentes fases de cultivo (propagação, crescimento, indução floral e maturação), um autêntico museu vivo desta cultura única, com entrada gratuita, loja e até um pequeno bar onde pode provar o licor de ananás da casa e produtos derivados, como a cerveja de ananás, o bolo de ananás, um hambúrguer com ananás assado e, claro, o próprio ananás, das plantações, cortado. Altamente recomendável.

Ananás e cerveja de ananás no café-bar das plantações A Arruda. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Antena Marconi

Sabe aquele lugar onde o fugitivo italiano Monti tem a roulotte estacionada, onde está a viver escondido e onde o corrupto funcionário prisional Morcela sabe perfeitamente onde ele está e o vai visitar de vem em quando para lhe levar mantenimentos? Sim, esse mesmo, onde há uma antena gigante ao lado de algumas cabanas, onde Morcela leva o uncle Joe Cunha e este lhe diz que pode ajudá-lo, que sabe onde está a droga e onde, sem saber, seria o início do (trágico) fim da vida de ambos às mãos dos narcotraficantes brasileiros (embora o fim do uncle Joe seja bastante mais altruísta do que o de Monti…).

Bem, esta localização é a chamada «Antena Marconi» de São Miguel e é uma grande antena parabólica de comunicações por satélite situada numa antiga estação técnica históricamente ligada à infraestrutura de rádio e telecomunicações operada em Portugal pela Companhia Portuguesa Rádio Marconi (CPRM). Atualmente, está fora de serviço e com as instalações abandonadas e fechadas ao público em geral.

Antena Marconi. Foto de Jules Verne Times Two

Costa Oeste de São Miguel

Finalmente, o local mais difícil de adivinhar (da primeira temporada), tanto para nós, como espectadores (não é fácil decifrar onde foi filmado) como, na ficção, para o Arruda (que queria descobrir onde estavam escondidos Eduardo, Sílvia e Carlinhos): a localização na ilha de São Miguel da Cabana do Uncle Joe e arredores. Como sabe, o tio de maboy Eduardo (como chama carinhosamente ao seu sobrinho) Uncle Joe (irmão da mãe de Eduardo, cunhado de Jeremiah), após estar preso nos Estados Unidos da América durante vários anos, foi deportado para o seu país de origem, Portugal e, mais específicamente, para a ilha que o viu nascer: São Miguel. E é precisamente na sua casa onde se refugiam os três rapexinhos que querem escapar tanto do vilão Arruda como da Polícia Judiciária.

Paisagem perto da praia de Mosteiros. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Já está confirmado que a cabana de Uncle Joe se encontra em Mafra mas as cenas gravadas na praia, onde Eduardo e Sílvia finalmente resolvem aquela tensão amorosa e sexual não resolvida durante toda a temporada; onde os três têm alguns momentos de felicidade com uncle Joe em que todos viajam atè à infância; e onde Eduardo tem a triste notícia do assassinato do seu pai; no Randomtrip apostamos que esta praia se encontra na costa oeste da ilha de São Miguel. Essas cenas transportam-nos ao cenário vulcánico da Praia dos Mosteiros ou arredores; Ponta da Ferraria ou Ponta do Escalvado. Apesar de também poder ser um cenário da costa sul da ilha, próxima a Feteiras.

Paisagem da Ponta da Ferraria. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Se, além dos locais aqui mencionados, quiser saber tudo o que ver e fazer na ilha de São Miguel, nos Açores, com itinerários específicos para um fim de semana ou uma semana pela ilha, não perca o nosso guia completo (e gratuito!) de São Miguel com todas essas informações.

Bonus Track: Santa Maria, nova ilha protagonista na segunda temporada de Rabo de Peixe

Na segunda temporada da série, há outra ilha dos Açores que ganha destaque: a vizinha ilha de Santa Maria, a ilha mais próxima de São Miguel.

Como se o vale do Douro tivesse praia, essa foi a sensação que tivemos quando vimos pela primeira vez a incrível Baía de São Lourenço e os seus solcalcos verdes a descer em direção ao Atlântico, na bela ilha de Santa Maria. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Santa Maria é a avó dos Açores (a mais antiga geológicamente, na verdade nasceu duas vezes), conhecida como «o Algarve dos Açores» pelas suas extensas praias de areia fina e pelo clima ameno e estável ao longo de todo o ano e, na última temporada de Rabo de Peixe, é uma atriz importante.

Praia Formosa de Santa Maria. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Santa Maria aparece tanto no início da segunda temporada, quando um barco de pescadores resgata Rafael do alto mar (após a tentativa de homicídio de Arruda no final da primeira temporada, na qual, sabemos depois, ele finge estar morto), como também quando, no meio da segunda temporada, os narcotraficantes brasileiros colocam os rapexinhos à prova para transportar drogas de São Miguel para Santa Maria e, após uma catarse entre Eduardo e Rafael no barco onde viajam (“Mas quem será, mas quem será o pai da criança“, como diz a canção pimba), ambos chegam, sãos e salvos, às pistas de aterragem do pequeno aeroporto de Santa Maria.

Baía de São Lourenço (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados)

Curiosidade: sabia que os dois primeiros concertos de Frank Sinatra na Europa foram nas ilhas açorianas da Terceira e Santa Maria? Pois é, Sinatra atuou em Santa Maria (um dia depois de atuar na Terceira) em junho de 1945 (ano em que terminou a Segunda Guerra Mundial) para os soldados estadounidenses que estavam na ilha. A apresentação foi no Atlántida-Cine, um cinema no aeroporto construído pelos militares aliados com capacidade para mais de 500 espectadores. Que ele tenha se apresentado na Terceira é claro, devido à Base Militar das Lajes, mas por que Santa Maria? No contexto da Segunda Guerra Mundial e nas negociações entre os EUA e Portugal (que era «supostamente» neutro na guerra, com as devidas ressalvas), decidiu-se que Santa Maria tinha um terreno ideal para construir uma pista de aviação, e assim foi. A propósito, uma vez terminada a guerra, passou a ser um aeroporto civil, o primeiro do arquipélago. Contamos-lhe mais curiosidades sobre esta ilha nesta secção do guia.

A ilha de Santa Maria foi uma das melhores surpresas que tivemos nas nossas várias viagens ao arquipélago dos Açores e recomendamo-la vivamente. Se viajar até lá, aqui está o nosso guia completo e gratuito para conhecer Santa Maria:


O sucesso da primeira temporada de Rabo de Peixe foi tal que a série estreou a 26 de maio de 2023 e, a 15 de junho do mesmo ano, a Netflix já anunciava uma segunda temporada, que acabou por estrear a 17 de outubro de 2025. Até ao momento em que escrevemos este artigo, ainda não foi anunciada uma terceira temporada, mas a verdade é que o final deixa a porta aberta para um «To be Continued»… O que acha? Gostou mais da primeira ou da segunda temporada? Conte-nos nos comentários! E se for à ilha e visitar algum destes locais, tenha cuidado para não se “agarrar” demasiado, porque São Miguel é viciante!


Disclaimer: Todos os locais de filmagem mencionados neste artigo são da autoria do Randomtrip que, reconhecendo ditos locais das cenas dos episódios da série após uma viagem de dois meses (em 2021) e outra de um mês e meio (em 2025) pelos Açores ( das quais 3 semanas em São Miguel e uma semana em Santa Maria), criou este artigo. Estes locais de filmagem não foram confirmados pela produtora Ukbar Filmes. Todas as fotografias e textos desde artigo são propiedade de Randomtrip com todos os direitos reservados (excepto a única fotografia propriedade da Netflix mencionada como tal). É possível ver alguns dos locais de filmagem da primeira temporada com áudios e informações no aplicativo VizitAR (iOS, Android).

O Randomtrip a dar a volta à Lagoa das Sete Cidades, na nossa última viagem à ilha em 2025. (Foto de Randomtrip. Todos os direitos reservados )

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