Uma paisagem lunar pontilhada com a arquitetura de César Manrique, um mergulho em praias de areia fina entre palmeiras e cones vulcânicos, um trilho entre crateras e catos, uma visita à casa onde viveu José Saramago e, claro, um delicioso vinho de malvasia vulcânica ao pôr-do-sol. Estes são apenas alguns ingredientes que o farão apaixonar-se por Lanzarote.

Neste guia encontrará tudo o que precisa para explorar Lanzarote, por sua conta: o que ver, roteiros de fim-de-semana, de 5 dias ou de uma semana à volta da ilha, como lá chegar, como se deslocar, onde dormir e até a que restaurantes ir.

Lanzarote, entre catos e vulcões

Conteúdos

Informação prática para visitar Lanzarote

Declarada Reserva da Biosfera desde 1993 pela Unesco, a ilha canária de Lanzarote esconde mais de 100 vulcões no seu Parque Nacional de Timanfaya, um impressionante complexo vulcânico que forma uma das pérolas da ilha. É a segunda ilha mais antiga do arquipélago das Canárias depois da avó Fuerteventura (a meia hora de barco), o que a torna uma das mais erodidas e planas das Ilhas Canárias. Lanzarote foi a casa escolhida por um dos nossos escritores favoritos, Prémio Nobel da Literatura em 1998, José Saramago.

Moeda: Euro

Idioma: espanhol

População: 156.000 (em 2021)

Orçamento diário: A partir de 60 euros/dia por pessoa (aprox.) para uma viagem de uma semana com carro alugado e as opções mais baratas de alojamento privado para 2.

Clima: Primaveril durante todo o ano, com temperaturas médias entre 17º e 25º. Varia um pouco, mas não muito, entre os meses de Verão e de Inverno, e os melhores meses, na nossa opinião, são Setembro e Outubro. Saiba mais sobre quando ir aqui.

Alojamento: A nossa zona de eleição é o norte da ilha, e tentamos sempre ficar em Punta Mujeres ou Arrieta (e se for numa casinha em frente ao mar, ainda melhor). No entanto, há mais alojamento disponível nas estâncias do sul, tais como Playa Blanca ou Puerto del Carmen. A última vez que visitámos a ilha, ficámos neste apartamento na Costa Teguise e gostámos. Mais informações aqui.

Duração: Mínimo 3 dias, recomendado uma semana (se decidir visitar La Graciosa, deve acrescentar pelo menos mais alguns dias). Mais informações aqui

Voos: Não há voos diretos para Lanzarote de Lisboa ou Porto (havia com a Ryanair mas foram eliminados recentemente) mas há voos com escala ou poderá voar diretamente para Fuerteventura e apanhar o barco que demora apenas 30 minutos a chegar a Lanzarote (e assim conhecer duas ilhas!). Recomendamos que utilize comparadores de voo como o Skyscanner e o Kiwi e que seja flexível com as suas datas para conseguir o melhor preço.

Transporte: A melhor opção é alugar um carro. Existem linhas de autocarro que ligam os diferentes pontos da ilha mas os horários são muito limitados e não é uma opção que possamos recomendar se quiser aproveitar ao máximo o seu tempo na ilha. Dizemos-lhe mais sobre como percorrer a ilha aqui.

Fuso horário: UTC +1. A hora em Lanzarote e nas Ilhas Canárias é a mesma hora de Portugal Continental

Ines e uma bomba vulcânica em Montaña Colorada

Quando ir a Lanzarote

Lanzarote é uma ilha com sol e temperaturas estáveis durante todo o ano, com temperaturas médias que variam entre os 17º no Inverno e os 25º no Verão. Contudo, os melhores meses para visitar a ilha (e as Canárias em geral) são Setembro e Outubro, pois é quando as temperaturas são mais elevadas em geral e também na água, os ventos alísios diminuem, há muito poucas hipóteses de chuva e o turismo massivo (de Verão) termina.

Punta Mujeres

Visitámos Lanzarote duas vezes, ambas, no Inverno:

  • 4 dias em Fevereiro de 2014, onde tivemos azar e choveu quase todos os dias.
  • 20 dias em Janeiro de 2022, onde especialmente na primeira semana tivemos um tempo espetacular (máximas de 23º com muito pouco vento). Como era Natal, naquela primeira semana o número de turistas era bastante notório (tanto nos locais mais turísticos como nos preços de aluguer de automóveis – proibitivamente caros – e alojamento).

Tabela do clima em Lanzarote, com temperaturas e dias de chuva por mês:

MêsTemperatura médiaTemperatura média (água)Dias de chuva
Janeiro17º19º3
Fevereiro18º18º2
Março19º18º2
Abril20º18º1
Maio21º19º0
Junho23º20º0
Julho24º21º0
Agosto25º22º0
Setembro25º23º1
Outubro23º23º1
Novembro21º21º4
Dezembro18º20º5
MêsTemperatura médiaTemperatura média (água)Dias de chuva

Como chegar a Lanzarote

Não há voos diretos para Lanzarote de Lisboa ou Porto (havia com a Ryanair mas foram eliminados recentemente) mas há voos com escala ou poderá voar diretamente para Fuerteventura e apanhar o barco que demora apenas 30 minutos a chegar a Lanzarote (e assim conhecer duas ilhas!). Recomendamos que utilize comparadores de voo como o Skyscanner e o Kiwi e que seja flexível com as suas datas para conseguir o melhor preço.

Impressionante praia de Famara desde a Cueva de las Cabras, Bosquecillo

Se já estiver em Fuerteventura, é também muito fácil e rápido chegar a Lanzarote de barco (meia hora de viagem entre Corralejo e Playa Blanca), onde também pode levar o seu próprio carro ou alugar um. Reserve aqui o seu ferry só de ida ou regresse de Fuerteventura.

Quantos dias passar em Lanzarote

Recomendamos um mínimo de 3 dias, embora o ideal para Lanzarote seja uma semana (para poder explorar todas as áreas da ilha, fazer algumas rotas, etc.), e, se quiser aproveitar a oportunidade para visitar a vizinha La Graciosa, acrescente pelo menos alguns dias extra à sua viagem. Propomos diferentes tipos de roteiros (de mais ou menos dias).

Saborear um delicioso vinho de malvasia vulcânica em La Geria

O que visitar e fazer em Lanzarote

Para lhe facilitar a localização e classificação dos locais de interesse em Lanzarote, classificámo-los em Norte, Centro e Sul, aqui está um resumo e depois toda a informação sobre cada um dos locais.

  • Norte de Lanzarote
    • Cueva de los Verdes e Jameos del Agua
    • Punta Mujeres e Arrieta
    • Praia Caletón Blanco (Caleta del Mero)
    • Miradouro do Rio
    • Caminho de los Gracioseros e Praia do Risco
    • Vulcão La Corona
    • Casa-Museu Haría e César Manrique
    • El Risco de Famara e El Bosquecillo
    • Miradouro Ermita de las Nieves
    • Famara, a capital do surf
    • Jardín de cactus
    • Antiga Rofera
  • Centro Lanzarote
    • Parque Nacional de Timanfaya
    • Caldeira branca
    • Mancha Blanca, o milagre e Ermita de Los Dolores
    • La Geria: Vinho, Vinhedos e Adegas
    • Teguise e Costa Teguise
    • Museu lagOmar
    • Fundação César Manrique
    • Arrecife, a capital da ilha
    • Casa Museo del Campesino
    • As “Grietas”
    • A palmeira inclinada
    • Montaña Colorada
    • Yaiza, Uga e salmão fumado
    • Museu da Casa José Saramago
  • Lanzarote Sul
    • Praia de Papagayo e outras praias do Parque Ajaches
    • Praia Blanca
    • Los Charcones
    • Salinas de Janubio e praia Janubio
    • Los Hervideros
    • Praia de Montaña Bermeja
    • O Golfo e o Charco de los Clicos (Charco Verde)
    • Puerto del Carmen

Mapa de Lanzarote

Aqui estão todos os locais de interesse em Lanzarote de que falamos neste guia, num mapa Google Maps, que pode levar consigo no seu smartphone para consultar em qualquer altura. Como no guia, os pontos no mapa são classificados por área com uma cor diferente (Norte: azul, Centro: castanho, Sul: laranja).

Deixamos-lhe também um mapa turístico de Lanzarote feito por Cicar (pode descarregá-lo em maior tamanho e resolução aqui ou clicando na imagem):

Mapa turístico de Lanzarote
Mapa turístico de Lanzarote, de Cicar

1. Norte de Lanzarote

O norte da ilha estabeleceu-se como a nossa zona favorita. A lava escura das erupções do vulcão Corona (onde se encontram a Cueva de los Verdes e Jameos del Agua), as estradas áridas salpicadas de catos, praias de areia fina, aldeias brancas e incríveis piscinas naturais (como a nossa amada Punta Mujeres) ou vistas panorâmicas deslumbrantes de paraísos do surf escondidos (Famara), compõem alguns dos melhores postais de Lanzarote.

Cueva de los Verdes

Um dos lugares mais interessantes e, na nossa opinião, essenciais na ilha é a Cueva de los Verdes. Esta caverna é uma secção de um tubo vulcânico gerado pela erupção do vulcão Coronamais de 20.000 anos.

A Cueva de los Verdes

O tubo vulcânico tem 6 km de comprimento em terra (e 1,5 km mais, submerso no mar), e é o local que podemos visitar, mais perto do mar, outra secção conhecida como “Jameos del Agua“, da qual falaremos a seguir. Se estiver curioso sobre como estes tubos de lava são formados, aqui pode ver um vídeo da Radio Televisión Canaria onde, após a recente erupção em La Palma, o explicam muito bem e de uma forma gráfica, ou, ainda neste outro.

Um tubo vulcânico é gerado durante uma erupção quando a parte exterior de um fluxo de lava arrefece e solidifica primeiro, enquanto o mesmo fluxo de lava continua a fluir no interior, sem solidificar. Quando o vulcão deixa de emitir lava, o tubo permanece vazio, sob a forma de um túnel, e pode atingir várias dezenas de quilómetros.

A Cueva de los Verdes está no seu estado natural, embora a intervenção de Jesús Soto (braço direito de César Manrique, o artista de Lanzarote de quem vos falaremos muito neste guia) para a tornar visitável consistisse em criar acessos e acrescentar iluminação e música. A caverna foi finalmente aberta ao público em 1964.

A visita à Cueva de Los Verdes é guiada, dura cerca de 45 minutos e percorremos aproximadamente 1 km deste tubo vulcânico, onde nos explicam o que vemos, bem como outras curiosidades.

A propósito, o nome “Cueva de los Verdes” não se refere ao facto de haver algo particularmente verde no interior, mas sim ao facto de a caverna ter pertencido outrora a uma família de pastores cujo apelido era “Verde”.

A caverna tem níveis diferentes, uma vez que é constituída por duas galerias sobrepostas, pelo que durante a visita subimos e descemos por meio de escadas previstas para o efeito (entramos de um lado, através da galeria inferior, e saímos do outro a partir da galeria superior). A temperatura no interior da caverna é estável durante todo o ano, entre 17º e 19º, e tem ventilação natural. Por curiosidade, a rota da visita é em direção ao vulcão, não em direção ao mar.

Ao entrar na sala dos minerais, é-nos dada uma breve explicação onde identificamos as partes brancas (carbonato de cálcio), vermelhas (óxido de ferro) e amarelas ocres (sulfatos). Não há estalactites na caverna (não há filtrações de água para gerar estalactites), apenas algumas pequenas pedras geradas pela lava chamadas estalafitas.

A visita à Cueva de los Verdes esconde também uma surpresa, um segredo que os visitantes estão proibidos de revelar, e que também descobrirá quando a visitar.

La Cueva de los Verdes tem também um auditório privilegiado, no qual são realizados esporadicamente concertos: além de ser um local muito especial para assistir a um evento, a acústica é incrível! Se tiver a sorte de ter um concerto durante a sua visita, não perca a oportunidade. Pode verificar se há algum evento quando estiver na ilha aqui.

No nosso caso, tivemos a sorte de assistir a um concerto d0 projeto musical “Voz en Contra“, uma experiência única que foi gravada a fogo, ou melhor, a lava, em Randomtrip. Além disso, para entrar no concerto, pode caminhar livremente pela caverna, ao seu próprio ritmo, até ao auditório (se chegar cedo, sem muitas pessoas) embora a área seja limitada (não pode ir, por exemplo, até ao local com o segredo).

Para a visita, é aconselhável usar roupa confortável e calçado adequado com sola de borracha, lembre-se que estamos num tubo de lava natural, onde o chão nem sempre é completamente uniforme, e devido à humidade pode escorregar. Preste sempre atenção às recomendações do guia e olhe para o chão quando sair para que os seus olhos se habituem à luz pouco a pouco. Afinal de contas, acabou de passar quase uma hora dentro de uma caverna.

A visita à Cueva de los Verdes pode ser feita todos os dias das 10:00h às 16:00h (a visita dura aproximadamente 45 minutos, em pequenos grupos, pelo que poderá ter de esperar um pouco) e custa 10 euros por um bilhete individual (mais barato se comprar um dos vouchers).

Jameos del agua

Estamos numa secção diferente do mesmo tubo vulcânico que a Cueva de los Verdes, embora aqui seja um Jameo, ou seja, uma área de um tubo vulcânico onde o telhado desabou. Esta, em particular, foi concebida por César Manrique, utilizando esta obra de arte da natureza como matéria-prima para construir a sua obra arquitetónica. De facto, Los Jameos del Agua foi a primeira atração arquitetónica por ele concebida, em 1968.

A palavra jameo vem de uma palavra guanche (antepassados canários) usada para se referir a um “buraco natural ou artificial na lava que absorve rapidamente a água“.

Fonte: Rae

Ao entrar, descemos 10 metros até uma galeria principal onde existe uma cafetaria e quase 70 metros abaixo encontramos uma grande caverna de lava com uma lagoa abaixo do nível do mar onde vivem os caranguejos! Acontece que esta é uma espécie endémica de Lanzarote e só é encontrada aqui: o caranguejo albino cego conhecido como “jameíto“. Os jameítos tornaram-se o símbolo do Jameos del Agua e são de enorme interesse científico.

Se está a pensar como é possível que os caranguejos vivam aqui, eis o que aprendemos. Acontece que o tubo vulcânico tem 6 km de comprimento em terra e 1,5 km sob o mar e esta lagoa é alimentada com água através de pequenas galerias subterrâneas. Com a formação deste tubo vulcânico, os Jameitos foram isolados do mar aberto e as condições de luz do Jameo permitiram-lhes adaptar-se e sobreviver, pois pertencem a uma espécie que habitava o fundo do oceano a uma profundidade de 4.000 metros!

A propósito, os jameitos estão em sério perigo de extinção, e a sua população foi drasticamente reduzida desde a abertura dos Jameos del Agua ao turismo. Em parte porque as pessoas costumavam atirar moedas para a água para trazer boa sorte, algo completamente proibido hoje em dia,porque o oxido envenena os jameitos.

No entanto, pela nossa experiência, não é a lagoa ou o restaurante Jameo que atrai a maioria dos turistas, mas sim a piscina! É muito fotogénica, rodeada por um belo jardim, embora, como se pode ver porque está sempre vazia (de pessoas), não é permitido nadar.

O ‘Jameos del Agua’ é uma das atrações turísticas mais populares de Lanzarote e, para além de cafetaria, bar e restaurante, tem também um auditório com capacidade para 600 pessoas, onde normalmente se realizam espetáculos de música, teatro e ballet. O Festival de Música Visual costumava realizar-se todos os meses de Outubro, mas não se realiza desde a pandemia. Descubra o calendário de eventos no site oficial e , tal como a Cueva de los Verdes, poderá ter a sorte de assistir a um concerto no auditório.

Infelizmente, durante toda a visita não encontrámos nenhuma informação (por exemplo, sinais informativos ou uma breve introdução à entrada) ou opção de visita guiada que pudesse explicar o que estávamos a visitar e tudo o que descobrimos foi por nossa conta, não a partir de informação facilitada para atração turística. Teoricamente, existe o Centro de Interpretação “La Casa de los Volcanes” (sobre fenómenos vulcânicos insulares e mundias) mas parece ter sido encerrado desde 2018 sem data prevista de reabertura.

Na nossa opinião, neste momento, é muito semelhante ao que vemos como uma máquina de fazer dinheiro rápido como um ponto de turismo de massas. Ao contrário da Cueva de los Verdes, parece-nos ser uma visita dispensável, a menos que venha à ilha durante muitos dias como nós, esteja curioso ou faça muita pesquisa por conta própria. O problema, na nossa opinião, é a gestão e a forma como ela é utilizada.

Além disso, pelo que lemos e fomos informados na ilha, César Manrique era alguém que se preocupava com a sustentabilidade e proteção da ilha (por exemplo, ele influenciou o plano da ilha que limitava o crescimento urbano em Lanzarote para ser um destino insular mais sustentável) e, na nossa opinião, a visita a esta atração não reflete de todo, a sua intenção. Esperemos que seja melhor gerido num futuro próximo.

Pode visitar os Jameos del Agua todos os dias das 10:00h às 18:00h, não é uma visita guiada mas sim uma visita gratuita a toda a área e a entrada individual custa 10 euros (mais barato se comprar um dos vouchers).

Arrieta

Um dos locais mais populares para ficar no norte da ilha (e um ou dois bons restaurantes), Arrieta é a casa de Playa La Garita , uma praia onde se pode refrescar e ver o pôr-do-sol.

Foi exatamente o que fizemos, após um dia entre as piscinas naturais de Punta Mujeres, decidimos dizer adeus ao dia no Chiringuito de Arrieta e tomar algumas tapas, altamente recomendadas.

Há várias opções para dormir em Arrieta, dê uma vista de olhos na Eco Village Finca de Arrieta.

Punta Mujeres

A nossa escolha de onde ficar na ilha, Punta Mujeres é uma pequena e bonita vila piscatória com várias piscinas naturais ao longo da costa. A piscina do Cura será sempre especial para nós, sozinhos no dia 31 de Dezembro, com a ilha cheia de gente que se concentrava no sul.

Foi aqui que ficámos durante a nossa primeira visita à ilha, no Sunrise Casita del Mar e depois de a revisitar, Punta Mujeres (seguida de Arrieta) continua a ser o nosso lugar preferido para ficar na ilha. Encontre várias opções aqui.

O terraço da Sunrise Casita del Mar.

O alojamento em que ficámos na nossa primeira estadia em Lanzarote foi este e não podíamos ter gostado mais. Sabemos que tende a esgotar-se rapidamente mas não se preocupe porque há outros muito semelhantes (com vista para o mar) e muito próximos, também em Punta Mujeres. Veja esta outra Casita del Mar, a Casa Azul, a Casita Lanzaocean, Aguaviva ou Punta Mujeres Casitas del Mar.

Caleta del Mojón Blanco (ou Praia Caleta del Mero )

La Caleta del Mojón Blanco é uma pequena enseada de areia branca fina, águas turquesas paradisíacas, com vários tons de azul e rodeada de rochas vulcânicas. Tem também vistas sobre o arquipélago de Chinijo.

Há um parque de estacionamento gratuito de terra batida um pouco mais longe, ao longo da praia, mas tenha cuidado que é pequeno e na época alta pode ficar cheio. Há também algum lugar de estacionamento mesmo na praia, embora seja irregular e arenoso e possa ser perigoso. Estacionámos lá a nossa mota.

É aconselhável usar botas, pois há muitas pedras à entrada da água, embora haja uma área de areia mais ou menos livre e na maré alta é fácil entrar sem se magoar.

Se estiver ventoso pode ser desconfortável, por isso existem vários abrigos redondos, feitos de rocha vulcânica para proteção. Tivemos a sorte de ir num dia sem vento, foi um dia “luxuoso”. Recomendamos como sempre, a verificação dos ventos em Windy/Windguru e das marés, em surf-forecast.com.

Na nossa opinião, é uma das mais belas praias de Lanzarote, se for sem vento e com bom tempo.

Praia Caletón Blanco

A praia de Caletón Blanco tem areia branca sobre fluxos de lava solidificada, com uma área bastante grande e pouco profunda e águas muito calmas, ideal para ir com crianças ou para um banho relaxante.

Órzola

Provavelmente estará familiarizado com Órzola se tiver considerado visitar a ilha vizinha de La Graciosa, pois os ferries partem do seu porto (reserve aqui) para a ilha mais pequena do arquipélago das Canárias e a maior do arquipélago chinês (é sempre uma questão de perspectiva).

Reserve o seu ferry entre Lanzarote (Órzola) e La Graciosa (Caleta de Sebo) aqui

O trajeto demora apenas 25 minutos de ferry e vale bem a viagem para a oitava ilha das Canárias. Se puder, passe pelo menos uma noite lá. Pode comprar o seu bilhete de ferry de Lanzarote para La Graciosa e voltar aqui, estacionar o seu carro em Órzola gratuitamente no parque de estacionamento das companhias de navegação (não há estradas alcatroadas em La Graciosa e não são permitidos carros) e desfrutar de um dia (ou mais) na pequena ilha de praias paradisíacas.

Randomtrip em La Graciosa. Reserve aqui o seu ferry para a hora da sua escolha entre Lanzarote (Órzola) e La Graciosa (Caleta de Sebo).

Mas Órzola tem mais do que apenas este porto, e além de ser uma pacata vila piscatória branca, tem duas praias que vale a pena visitar se estiver na zona: Playa de la Cantería, para os amantes do surf, com ondas fortes e Charca La Laja, uma praia mais calma, se lhe apetecer refrescar-se.

Reserve o seu ferry para o tempo que quiser entre Lanzarote (Órzola) e La Graciosa (Caleta de Sebo) aqui

Mirador del Río (Miradouro do Rio)

Uma das criações arquitetónicas de César Manrique que mais nos impressionou na ilha foi o Mirador del Río (Miradouro del Río), que esconde a mais bela janela de Lanzarote.

Com vistas do Oceano Atlântico e da vizinha La Graciosa, o cenário de cortar a respiração, na grande janela que é a principal característica do miradouro, que funciona com quadro do restaurante/cafetaria do miradouro. É portanto o local mais bonito para tomar um café na ilha.

Se for ao exterior, verá a enorme falésia com a praia del Risco e as Salinas del Río vistas de cima. Se subir as escadas da cafetaria terá vistas, ainda mais deslumbrantes.

No Mirador del Rio quase se pode tocar La Graciosa.

O miradouro está localizado na ponta norte de Lanzarote, em Punta Fariones, um enorme penhasco de rochas e lava que se precipita para o mar e oferece algumas das melhores vistas panorâmicas da viagem a 479 metros acima do nível do mar.

César Manrique reconstruiu o que tinha sido uma antiga posição de artilharia militar e o Mirador del Río foi aberto ao público em 1973.

Na realidade pode contemplar as vistas do parque de estacionamento ou de outros pontos ao longo da estrada, como o Miradouro del Guinate, do qual lhe falaremos mais tarde, mas o que realmente se paga, é o acesso ao incrível espaço do artista de Lanzarote.

Pode visitar o Mirador del Río todos os dias das 10:00h às 17:00h e a taxa de entrada é de 5 euros (1 euro para os residentes de Lanzarote, 4 euros para os residentes das Ilhas Canárias) (mais barato se comprar um dos vouchers).

Miradouro de Nahum

Perto do Mirador del Río, se seguir a estrada (LZ-202) e olhar para a direita, encontrará um miradouro livre, com vistas incríveis:

Vulcão La Corona (Monumento Natural de La Corona)

A erupção do vulcão Monte Corona cobriu a parte sudeste e nordeste de Lanzarote com um rio de lava formando um extenso badlands e o grande tubo vulcânico onde se encontram a Cueva de los Verdes e Los Jameos del Agua.

Monte Corona é uma área protegida com a categoria de Monumento Natural e é possível subir ao topo do vulcão, obtendo vistas espetaculares da Graciosa e do norte de Lanzarote através de uma rota circular fácil, de cerca de 5 km, que levará entre 1h30 a 2h.

Para iniciar o percurso (aqui tem a informação completa sobre o trilho) tem de estacionar o seu carro na aldeia de Yé (perto deste ponto, onde o trilho começa). Neste artigo de Ocio Lanzarote explicam bastante bem as diferentes etapas e paisagens pelas quais passará até chegar ao topo do vulcão.

Aqui está também uma “geo-rota” através de vários locais de interesse relacionados com a erupção do vulcão La Corona.

Caminho de los Gracioseros e Playa del Risco

Considerada a mais bela praia da ilha, Playa del Risco, é de acesso difícil, pois para desfrutar desta praia paradisíaca tem de percorrer uma rota bastante íngreme, o Caminho de los Gracioseros.

Devido ao seu difícil acesso, é uma praia raramente visitada, o que a torna ainda mais apelativa para um dia na praia com aventura e um mergulho no mar. Na nossa viagem a Lanzarote não tivemos tempo de a visitar, mas já anotamos para a próxima visita à ilha.

Se o plano lhe parecer apelativo, deve saber que existem mais de 7 km de caminho (descida e subida), com considerável dificuldade (especialmente a descida) devido ao caminho escorregadio (cascalho vulcânico muito solto), e um declive considerável. Demorará mais de 2 horas a subir e a descer, sem contar com o tempo de desfrutá-la.

A recompensa será, uma praia extensa de areia branca fina que partilhará com muito poucas pessoas ou mesmo, sozinha. Tem aqui toda a informação sobre o percurso.

Miradouro de Guinate

Embora, na nossa opinião, o Mirador del Río mereça uma visita, pois é uma das obras de César Manrique de que mais gostamos na ilha, se não estiver interessado em entrar neste miradouro feito pelo artista, a partir do Miradouro de Guinate terá vistas semelhantes às que tem do Miradouro del Río.

Este miradouro situa-se à esquerda do anterior, pelo que não verá La Graciosa de frente mas de lado, mas, terá uma vista privilegiada sobre o caminho dos Gracioseros e a praia do Risco.

Haría e o Museu Casa César Manrique

A aldeia de Haría é caracterizada por casas caiadas de branco no meio de vegetação e palmeiras, uma visão menos comum em Lanzarote árido, mas, o que atrai mais turistas a esta pequena cidade é a Casa Museo de César Manrique ( não confundir com a Fundação César Manrique em Tahíche). Esta foi a casa onde Cesar Manrique viveu durante os últimos anos da sua vida, entre 1987 e 2002, quando morreu num acidente de viação. A casa foi aberta ao público nesse mesmo ano e é distribuída num único andar rodeada por palmeiras e plantas e oferece uma viagem pelos últimos anos do artista através de objetos pessoais, livros, fotografias e a sua oficina. A Casa-Museo César Manrique (Casa del Palmeral) está aberta todos os dias das 10:30h às 18:00h e o preço de entrada é de 10 euros (pode comprar o bilhete combinado com a Fundação César Manrique por 17 euros).

Casa del Palmeral, Casa-Museu César Manrique. Foto de FCManrique.Org

Em frente à praça, em Haría, encontra-se o Museo Sacro y Popular, que alberga objetos religiosos doados por residentes locais, e a igreja onde se encontra a controversa escultura de uma Virgem grávida, a obra do artista canário Luján Pérez.

Haría

Vale a pena parar no Miradouro de Haría para contemplar a vista de bilhete postal do vale de Haría, salpicado de palmeiras e casas brancas, e o imponente vulcão do Monte Corona, que se pode chegar ao topo através de um caminho pedestre. Não é por acaso que o vale de Haría é também conhecido como o “vale das dez mil palmeiras”, pois é o lar do maior número de palmeiras nas Ilhas Canárias. O verde do vale de Haría contrasta com a paisagem lunar a que se vai habituando durante os seus dias em Lanzarote.

Miradouro de El Risco de Famara – Parque El Bosquecillo

Foi no miradouro de El Risco de Famara no parque Bosquecillo que a ilha nos deu o seu melhor pôr-do-sol. Para chegar aqui, é necessário conduzir cuidadosamente ao longo de uma estrada de terra, estacionar e caminhar durante alguns minutos.

Os Riscos de Famara albergam a maior reserva botânica de Lanzarote e oferecem uma das melhores vistas panorâmicas dos ilhéus que compõem o arquipélago de Chinijo (La Graciosa, Alegranza, Montaña Clara, Roque del Este e Roque del Oeste) e, claro, da imponente e majestosa praia de Famara.

A propósito, o Bosquecillo é a única floresta em Lanzarote onde vários habitantes locais vão aos domingos para passar o dia, pois tem uma zona de piquenique e churrasqueiras.

Cueva de las Cabras (ou Cueva de los Suecos)

Se estiver com vontade de adrenalina e for uma pessoa algo intrépida, perto do miradouro de El Risco de Famara existe uma pequena caverna escondida, a Cueva de las Cabras. Está localizada a cerca de 10 minutos do parque Bosquecillo, à esquerda e chegar à caverna não é fácil. Se estiver um pouco ventoso, nem pense nisso porque é muito perigoso.

O acesso faz-se junto a um penhasco, através de algumas pequenas escadas em terreno escorregadio, através das quais se chega à caverna. No entanto, se tiver a sorte de ir num dia claro e sem vento, poderá alcançá-lo calmamente e desfrutar das incríveis vistas sobre a Famara.

Miradouro Ermita de las Nieves

Outro lugar incrível para o pôr-do-sol com vistas de Famara. Será, juntamente com o Bosquecillo, o local mais deslumbrante para apreciar o pôr-do-sol. Ao contrário da sorte que tivemos no miradouro de El Risco de Famara, no miradouro da Ermita de las Nieves (assim chamada porque é onde se situa o eremitério) estava muito nublado, pelo que não pudemos contemplar a magnitude das vistas em todo o seu esplendor.

Famara, La Caleta e praia San Juan

Famara é a capital do surf, em Lanzarote. Uma praia imponente, com quilómetros de extensão, constantemente fustigada pelos ventos alísios que encantam os surfistas.

Aprenda a surfar em Famara com este curso: pode escolher um mini-curso de 2 horas, um curso de 4 horas ou um curso de 3 dias. Reserve aqui.

Embora não seja uma das nossas favoritas para nadar, precisamente devido às ondas, é sem dúvida uma das praias mais bonitas (se não a mais bela) da ilha. Os maciços montanhosos de Famara-Guatifay com as suas impressionantes paredes verticais e o ponto mais alto da ilha, as Peñas del Chache, a 672 metros de altitude, são a principal atração. De facto, é daqui que os entusiastas do parapente e da asa-delta descolam e descem as falésias para aterrar na praia, pelo que a imagem em Famara é frequentemente de pessoas a surfar, a praticar parapente ou apenas a desfrutar da praia.

Na aldeia de La Caleta de Famara, uma antiga aldeia piscatória, pode-se sentir a atmosfera do surf e da vida descalça que tanto nos agrada. Com efeito, a maioria das ruas não são pavimentadas (arenosas). Recomendamos que estacione o seu carro e caminhe ao longo da praia à sua vontade. Se marcar a sua visita com o pôr-do-sol, caminhar de volta à aldeia ao longo da praia dar-lhe-á uma imagem incrível, com o sol a refletir na costa molhada e os maciços a ficarem alaranjados.

À esquerda de Caleta de Famara, pode encontrar o Praia de San Juan, uma praia muito mais pequena e silenciosa, com areia branca onde, claro, o surf também é praticado. Para lá chegar, basta seguir a estrada principal até ao fim, fazendo o último troço não pavimentado.

Cursos de surf em Famara: 2 horas, 4 horas ou 3 dias. Reserve aqui

Jardín de Cactus

O Jardín de Cactus, também obra do artista Lanzarote César Manrique, tem aproximadamente 4500 exemplares de 450 espécies diferentes de catos dos cinco continentes, por outras palavras, um paraíso para os amantes de catos.

O curioso jardim está rodeado de paisagem agrícola e ao pé do moinho Guatiza, um dos últimos moinhos de milho ainda existentes em Lanzarote.

O artista concebeu a instalação do jardim, um centro de estudo botânico e florístico numa antiga rofera, ou seja, um local onde se extrai o rofe, sob a forma de um circo romano.

Rofe é a parte superficial dos lapilli, fragmentos de lava expelidos pelo vulcão durante uma erupção. É conhecido como picón nas Ilhas Canárias, mas é especificamente chamado de rofe em Lanzarote.

Pode visitar o Jardín de Cactus todos os dias das 10:00h às 17:00h, não é uma visita guiada mas sim uma visita livre a todo o espaço e o bilhete individual custa 6,50 euros (mais barato se comprar um dos vouchers).

Charco del Palo (aldeia nudista)

Charco del Palo é uma aldeia completamente nudista, presumivelmente fundada na década de 70 por um alemão. O acesso é por uma boa estrada embora esteja longe de tudo, o que lhe dá mais privacidade.

A maioria das pessoas (residentes e visitantes alojados num dos apartamentos ou resorts) pratica nudismo, embora nos poucos restaurantes seja teoricamente obrigatório o uso de roupa. Há um par de piscinas naturais em rocha vulcânica. Se for a Charco del Palo para um mergulho, respeite o nudismo.

Se ficar com fome e desejar arepas, perto está a deliciosa Arepera Jojojoto y Millo, a arepa de huevos pericos que provámos e foi espetacular.

Piscina Natural Cueva del Agua (ou La Olla)

La Cueva del Agua é uma piscina natural espetacular localizada entre Charco del Palo e Los Cocoteros, com um acesso complicado, o que lhe dá um encanto extra, pois há uma grande probabilidade de haver poucas pessoas quando se vai para lá.

Para lá chegar, a partir de Guatiza tem de apanhar uma estrada de terra para uma casa isolada (exatamente aqui), onde pode deixar o seu carro. A partir daí, é necessário caminhar alguns metros até à localização exata da Cueva del Agua.

A piscina natural é um jameo (uma caverna natural criada pelo desprendimento do telhado de um tubo vulcânico), por isso a paisagem vulcânica à volta da piscina é incrível, mas também perigosa. É muito importante usar calçado apropriado! É também aconselhável o uso de botas de água.

O ideal é ir quando a maré está a subir e/ou alta, e apenas quando o mar está calmo, caso contrário pode ser perigoso.

Salinas de Guatiza (Los Cocoteros)

As minas de sal de Guatiza são as únicas minas de sal em funcionamento, juntamente com as de Janubio (muito mais famosas), embora haja muito pouca atividade no local. Não chegámos a ir lá, mas de acordo com o que lemos, o saleiro vive ao lado e pode comprar-lhe sal de muito boa qualidade a preços muito bons.

Antiga Rofera

Esta curiosa paisagem é constituída pelos restos de uma antiga zona rochosa da ilha, onde o Rofe, um tipo de areia vulcânica com grãos grosseiros e ásperos como é chamada em Lanzarote, foi extraído.

É um lugar muito fotogénico devido às suas formações rochosas e está a tornar-se cada vez mais popular entre os turistas.

2. Centro de Lanzarote

Lanzarote é uma terra de vulcões e a maioria dos mais de 100 vulcões que existem na ilha encontram-se na sua jóia geológica, o Parque Nacional de Timanfaya, a paisagem mais impressionante com que se deparará aqui. Entrar no centro da ilha é mergulhar na sua história e na própria história da formação das Ilhas Canárias, subindo até à beira das crateras e caminhando entre bombas vulcânicas. Também esconde algumas das mais belas aldeias das Ilhas Canárias, como Teguise, surpresas como a Casa-Museu de um Prémio Nobel da Literatura que encontrou aqui o seu refúgio (José Saramago) e convida-o a saborear um delicioso copo de vinho branco entre as vinhas vulcânicas , no meio das belas paisagens de La Geria.

Parque Nacional de Timanfaya

O Parque Nacional de Timanfaya é sem dúvida uma das áreas mais impressionantes da ilha. Ao contrário do que algumas pessoas acreditam, o Timanfaya não é um vulcão, é um complexo vulcânico, atualmente um parque natural protegido, que tem vários vulcões no seu interior. Todo o território do parque natural, é de material vulcânico, o resultado das erupções que modificaram totalmente a ilha. Quase 20.000 hectares de terra cobertos de lava, cinzas, bombas vulcânicas e lapílis.

O famoso diabinho de César Manrique anunciando que chegámos ao Parque Nacional de Timanfaya.

Houve dois períodos eruptivos: as erupções mais longas – mais de 6 anos – das Montanhas do Fogo que ocorreram entre 1730 e 1736, e as erupções mais recentes em 1824.

“No primeiro dia de Setembro de 1730, as verdes planícies e aldeias brancas do sudoeste de Lanzarote foram surpreendidas pela mais violenta erupção vulcânica que se tem memória, tanto em termos da duração do fenómeno – seis anos – como da abundância de lava que enterrou dez aldeias e cobriu um quarto da ilha com um manto de magma incandescente”.

Alberto Vázquez Figueroa “Océano”, lemo-lo no Centro de Visitantes Mancha Blanca.

Durante os 6 anos do mais longo período eruptivo (1730-1736), surgiram uma série de vulcões. O primeiro destes, surgiu perto da aldeia de Chimanfaya, que se tornou Timanfaya e dá o seu nome ao parque. Os geólogos acreditam que este primeiro vulcão é o atualmente chamado Volcán el Cuervo (mas não está confirmado).

Vulcão El Cuervo

Agora que assistimos à erupção de La Palma que durou alguns meses, imagine como deve ter sido para as pessoas que viviam aqui nessa altura, com erupções durante 6 anos…

Apesar da violência das erupções, consideradas uma das mais importantes do vulcanismo mundial, não causaram quaisquer baixas humanas. Sob as montanhas, caldeiras e desertos de lava petrificada (o malpaís) ocultam-se as aldeias de Tingafa, Mancha Blanca, Maretes, Santa Catalina, San Juan, Masdache, Peña Palomas, Chimanfaya (Timanfaya), Testeina, La Geria e Los Rodeos.

A área da superfície do Parque Nacional de Timanfaya não cobre toda a área das erupções acima mencionadas. Como podemos ver nos mapas seguintes do Guia Geológico de Timanfaya, em vermelho está a área coberta pelas erupções de 1730-1736 e em verde escuro está toda a área do Parque Nacional.

Mapa con Itinerarios del Parque Nacional Timanfaya
Mapa com Roteiros do Parque Nacional de Timanfaya, Guia Geológico de Timanfaya
Como ir ao Parque Nacional de Timanfaya?

O Parque Nacional de Timanfaya só pode ser alcançado de uma das seguintes formas:

  • Rota dos vulcões, de autocarro (linha amarela no mapa verde “Itinerarios”)
  • Rota Tremesana, a pé, por reserva prévia com um guia (linha preta no mapa verde “Itinerarios”).
  • Rota costeira, a pé, a única que se pode fazer sozinho ou com um guia (linha laranja no mapa verde “Itinerarios”).
  • Existe uma quarta opção para conhecer Timanfaya que apenas mencionamos para evitar e rejeitar: conhecê-la no dorso de um camelo. Não compreendemos como esta aberração é ainda oficialmente uma opção num Parque Nacional e como é promovida pelo Turismo. Não seja cúmplice de maus tratos a animais e promova o turismo responsável.
Passarela de madeira através do Parque Nacional de Timanfaya no Centro de Visitantes de Timanfaya

Excursão de autocarro

Uma viagem de autocarro de 14 km (aproximadamente 50 minutos) que começa e termina no Islote de Hilario, um lugar onde a temperatura atinge 400º a uma profundidade de dois metros, assim chamado porque um homem chamado Hilario viveu aqui em solidão. Foi aqui que César Manrique concebeu o edifício ‘El Diablo’, um edifício circular que abriga um restaurante, com uma fachada coberta de pedra vulcânica e um poço de cinco metros de profundidade no seu interior. O autocarro faz algumas paragens, como no Miradouro de Montaña Rajada, de onde se pode ver uma grande parte do parque nacional e da costa.

Honestamente, fizemos o percurso de autocarro na primeira vez que visitámos a ilha em 2014 e não gostámos. Para além do facto de conhecer um lugar tão natural e especial num autocarro turístico tirar o seu encanto, as janelas sujas e/ou arranhadas não nos permitiam apreciar as paisagens e a explicação é um áudio pré-gravado (e não um guia) que, no nosso caso, soou terrível. A entrada, incluindo o bilhete do autocarro custa 12 euros por pessoa (mais barato se comprar um dos vouchers).

Vista de Timanfaya do trilho para a Caldera Blanca

Se ainda assim, não tiver muito tempo, pode reservar aqui uma excursão de meio dia, incluindo a Rota dos Vulcões, de autocarro.

Lembre-se, se alguma vez lhe for oferecido um passeio de camelo, recuse e denuncie esta prática. Não seja cúmplice de maus tratos a animais.

Rota Tremesana (ou Termesana)

O que acreditamos ser a melhor maneira de conhecer o parque nacional, as suas peculiaridades, a sua fauna e flora, é fazer a rota guiada Tremesana.

Tente reservar o mais cedo possível (pode reservar até um mês de antecedência), porque existem apenas 8 lugares em espanhol e 8 em inglês, por dia, e eles não o fazem todos os dias. Se não conseguir um lugar, há a opção de aparecer no ponto de partida mais cedo para entrar na lista de espera. Se alguma das 8 pessoas não aparecer, as pessoas apontadas na lista são chamadas por ordem de chegada.

Paisagens ao longo do trilho da Caldera Blanca

Se quiser reservar, pode fazê-lo aqui, mas a experiência é tão inutilizável e o website funciona tão mal que decidimos criar uma secção específica para explicar como reservar os roteiros pelo Timanfaya .

Como curiosidade, irá ouvir e ler Tremesana ou Termesana e ambos estão corretos. Termesana é o nome de uma grande montanha em Lanzarote localizada no limite sul do Parque Nacional Timanfaya, por isso, embora o nome mais estabelecido na tradição seja Montaña Termesana, recentemente a variante Tremesana tem sido utilizada cada vez mais, por metátese.

Rota Costeira

A única que tem a opção de fazer sozinho ou, se quiser, com um guia, é a rota ao longo da costa entre Piedra de Ventura e Playa del Paso. No entanto, se quiser fazê-la por si próprio, tem de pedir autorização antecipadamente. Pode fazê-lo neste website .

Se quiser reservar, pode fazê-lo aqui ou pode aparecer lá logo pela manhã, tente a sua sorte e eles podem ter um espaço, mas não recomendamos que o faça.

Rota pela Caldera Blanca

Como reservar as rotas Tremesana e Litoral?

Para reservar, vá a este website que, avisamo-lo com antecedência, funciona muito mal:

  1. Tem de introduzir a rota desejada (nesta web pode encontrar todas elas):
    1. Tremesana em espanhol
    2. Tremesana em inglês
    3. Litoral em espanhol
    4. Litoral em inglês
  2. Uma vez dentro da rota, no menu no topo (em vermelho escuro) clique em“Reservas“.
  3. Aparecerá um calendário, onde os dias em branco são os que têm lugares disponíveis (embora funcione muito mal, encontramos dias em branco que não tinham lugares disponíveis quando clicámos neles). Clique no dia desejado, e à direita verá o horário e os lugares disponíveis.
  4. Se de facto houver lugares, devemos clicar em “Seleccionar” para continuar, colocar o número de lugares que queremos no formulário e clicar em “Próximo Paso”.
  5. Finalmente, teremos de preencher os dados no formulário que aparece e terminar o processo.
A começar o trilho da Caldera Blanca

A nossa experiência a reservar a rota de Tremesana

Reservámos a rota de Tremesana, mas infelizmente, não o pudemos fazer devido à má gestão das reservas. Dois dias antes de iniciar o percurso, com a reserva confirmada no nosso e-mail durante mais de duas semanas, telefonámos para confirmar se tínhamos ou não de pagar a taxa de entrada no parque. A pessoa que atendeu o telefone, para além de ter sido muito rude, disse-nos que era impossível que houvesse uma rota guiada nesse dia e que não o conseguiríamos fazer. Ficámos chocados. Após várias chamadas e e-mails para o responsável pelo Turismo de Lanzarote, os Parques Nacionais, etc., a conclusão é que ninguém foi responsável porque supostamente abriram lugares sem intenção num dia em que não havia rota, não nos ofereceram outro dia e não houve mais espaço durante várias semanas (tínhamos margem, estivemos quase um mês na ilha).

Ou seja, passámos por todo o processo, reservamos para 2 pessoas, recebemos confirmação e só descobrimos que não haveria digressão dois dias antes por acaso, porque ligámos para o centro de informação. Caso contrário, imagino que teríamos ficado lá em Yaiza à espera que alguém aparecesse às 9 da manhã, porque não recebemos qualquer informação de que não haveria uma visita guiada, nem por telefone nem por e-mail.

O trilho da Caldera Blanca, um trilho impressionante que pode fazer por si próprio.

Esperamos que a usabilidade do website, a gestão das reservas do parque nacional em geral e a atenção aos visitantes sejam melhoradas no futuro, porque é uma pena que uma jóia como o Parque Nacional de Timanfaya seja ainda tão mal gerida.

Perdemos a rota de Tremesana, uma das rotas que mais desejávamos fazer na ilha, outra razão para regressarmos à bela Lanzarote. Se o vai fazer, encorajamo-lo a ler a experiência dos nossos colegas de La Gaveta Voladora e Andurriante que o fizeram.

Centro de Visitantes Mancha Blanca

Na nossa opinião, este Centro de Visitantes é o primeiro lugar que deve visitar na ilha para aprender não só sobre Timanfaya mas também sobre a vulcanologia, sobre a formação das Ilhas Canárias e sobre o que verá na ilha durante a sua estadia em Lanzarote.

No Centro de Visitantes aprenderá, por exemplo, o que é um jameo antes de pôr os pés no Jameos del Agua de César Manrique ou como se formam os campos de bombas vulcânicas antes de se deparar com uma destas bombas no trilho de Montaña Colorada. Em suma, este centro ajudá-lo-á a compreender tudo o que verá na ilha e , como bónus, poderá passear pela paisagem de Timanfaya num passadiço de madeira, parte do centro.

A entrada no centro é gratuita e o horário de abertura é das 8:30 às 16:30 todos os dias.

A propósito, a caminho do Centro de Visitantes, na estrada LZ-67 que liga Tinajo e Yaiza, passará por uma pequena parte do Parque Nacional. Além disso, a estrada é uma das mais belas da ilha porque está rodeada por espetaculares paisagens vulcânicas.

Caldera Blanca

Perdemos a rota de Tremesana, mas não perdemos a incrível rota com vistas de Timanfaya. O percurso da Caldera Blanca é incrível e pode ser feito por si próprio, sem reservas.

O trilho passa por terrenos muito diferentes, tanto o terreno “áspero” das erupções de 1730-36 como o terreno mais antigo, pois a altura dos vulcões Caldereta e Caldera Blanca significava que não foram afetados pela lava expulsa durante essas erupções. Na terminologia local são consideradas “islotes” (ilhotas), uma vez que foram deixadas descobertas mas rodeadas por este “mar de lava” em resultado das erupções.

A palavra islote (ilhota) pode ter dois significados: terrenos vulcânicos elevados (geralmente cones) que foram rodeados por erupções históricas ou uma pequena ilha como as encontradas no arquipélago de Chinijo.

Fonte: Guia Geológico de Timanfaya

A rota poderia ser melhor sinalizada (é comum cometer erros) mas basicamente é preciso continuar em direção ao pico do vulcão, contornando toda a caldeira, e depois descer novamente. Aqui pode ver um exemplo de rota no Wikiloc.

Ao longo do caminho há vários sinais que lhe explicam o que está a ver, contando-lhe sobre os malpaís (terreno solidificado coberto de lava) ou os líquenes (uma forma de vida primária que cobre os fluxos de lava), bem como os diferentes ecossistemas representados na paisagem. Após algumas horas, uma subida interessante e um par de desvios “parvos” por nos perdermos, chegamos à borda da cratera. As vistas da borda da cratera são de cortar a respiração e, num dia claro, ainda mais espetaculares, embora com vento forte signifique que se tem de ter muito cuidado.

Escala de Dificuldade Randomtripper: Difícil. São quase 10 km (demorámos cerca de 4 horas no total) em terreno irregular, escorregadio em alguns troços, e no nosso caso, muito ventoso no topo do vulcão, mas vale totalmente a pena.

Um agradecimento especial ao pessoal de La Gaveta Voladora cujo post foi super útil para compreender o que estávamos a ver, e a organizar o passeio! Obrigada!

Mancha Blanca, o milagre e a Ermita de los Dolores

Fomos à pequena aldeia de Mancha Blanca para investigar a curiosa história do seu eremitério, que remonta aos seis anos de erupções entre 1730 e 1736. A enorme devoção à Virgen de los Dolores, padroeira de Lanzarote (também conhecida como Nossa Senhora dos Vulcões), significa que todos os 15 de Setembro, dezenas de milhares de pessoas de todos os cantos da ilha e de outras Canárias, fazem uma peregrinação à ermita de Nuestra Señora de los Dolores, em Mancha Blanca, para a adorarem.

A razão desta devoção vem do facto de que estas erupções fizeram com que os habitantes de Tinajo fossem em procissão a Mancha Blanca para rezar à Virgem para parar a lava, prometendo-lhe a construção de um eremitério se tal milagre acontecesse. O milagre foi realizado, o rio de lava foi parado precisamente no local onde uma cruz de lenha foi pregada (hoje em dia, em frente do eremitério) mas a promessa não foi cumprida e o eremitério não foi construído no seu tempo. E é aqui que começa a curiosa história por detrás do eremitério:

“A tradição diz que anos mais tarde, quando a pastora Juana Rafaela, filha de uma humilde família de cabreiros, cuidava do gado na montanha Guiguan, uma senhora vestida de preto veio ter com ela e pediu-lhe para lembrar aos mais velhos a promessa que tinham feito algum tempo antes. A senhora de preto apareceu novamente à rapariga noutro dia de pastoreio e repetiu a mensagem. A rapariga contou-lhe que ela tinha contado a história mas que os seus pais não acreditavam nela. A Virgem marcou então a sua mão nas costas da rapariga e disse: “Vai-te embora, agora eles acreditarão em ti”. E, surpreendidos, desta vez acreditaram nela. A pequena pastora, de 9 anos, relacionou a senhora que viu com uma imagem de Nossa Senhora das Dores, e assim o povo da aldeia apressou-se a construir este eremitério, um lugar de peregrinação”.

Extrato da placa explicativa em frente do eremitério Nuestra Señora de los Dolores, em Mancha Blanca.

Pode entrar na histórica igreja do século XVIII ou admirar a sua fachada branca com detalhes de pedra vulcânica.

La Geria: Vinho, Vinhedos e Adegas

A origem de toda esta área onde se encontram as vinhas e várias adegas, La Geria, nasceu da necessidade de aproveitar a lava das erupções de Timanfaya. A maior parte das terras aráveis desta área foi enterrada sob lava, escoria e cinza que, graças ao engenho do povo de Lanzarote, transformou a área de La Geria num solo vulcânico, único no mundo.

Pode visitar a adega Vega de Yuco durante 1 hora onde descobrirá todos os segredos deste vinho Lanzarote e, além disso, terá uma prova de vinhos biológicos por 14 euros, reservando aqui. Ou pode reservar um passeio que inclui uma visita a três adegas– Bodega Los Bermejos, Bodegas Rubicón e Bodegas El Grifo – degustação, guia e transfers incluídos, reservando este passeio de 4 horas pelas vinhas de La Geria.

A Geria é o buraco em que a vinha é plantada e que a protege do vento (nesta zona pode atingir rajadas de 120km/h) e que, graças à sua forma cónica, canaliza a água para a planta. Para fazer estes cones, a parte superficial dos lapilli (esta parte superficial é chamada “picón” nas Ilhas Canárias, especificamente “rofe” em Lanzarote) é escavada aproximadamente 2 metros e meio, até se encontrar terra e se efetuar a plantação de cerca de 23 variedades endémicas de uva.

Durante a noite, o rofe permite a passagem de humidade para o solo, e durante o dia, impede a evaporação. As paredes semicirculares de pedra vulcânica, tão fotogénicas, são chamadas de zocos. Graças a esta técnica, foram também cultivados melões, melancias, tomates, batatas, cebolas, alho e milho.

Os zocos em La Geria, Lanzarote
Os currais na ilha do Pico (Açores)

Se tiver acompanhado a nossa viagem pelos Açores, terá ouvido falar de algo semelhante na ilha do Pico, cuja paisagem vitícola é constituída por currais (muros de pedra vulcânica para proteger as vinhas que constituem uma paisagem que é Património Mundial da UNESCO). No entanto, os currais açorianos não são como os de Lanzarote, uma vez que são diretamente sobre a rocha vulcânica e ao nível do mar, enquanto que os aqui, chamados zocos, não são.

La Geria está situada num parque natural protegido, com duas regras que os afetam em particular: não estão autorizados a irrigar e não estão autorizados a trazer máquinas (exceto durante a vindima, quando são autorizados a trazer veículos para transportar as uvas).

A colheita em La Geria demora cerca de dois meses e meio, tudo é feito à mão e é considerado um dos mais difíceis do mundo, especialmente devido à temperatura. No fundo dos fossos, temperaturas superiores a 70° podem ser registadas no meio de uma onda de calor de Verão.

Existem várias adegas responsáveis pelo delicioso vinho produzido nesta ilha (La Geria, El Grifo, Los Bermejos, Rubicón,… neste site pode encontrá-las todas) e oferecem visitas guiadas e provas de vinhos.

Visitamos duas delas: Bodegas La Geria, onde fizemos uma visita guiada através de todo o processo de cultivo, vindima e prova de vinhos e onde aprendemos tudo sobre isso; e Bodegas El Grifo, onde fomos ao museu e ao seu jardim particular de catos.

Bodegas la Geria

A visita guiada à bodega La Geria custa 10 euros e dura cerca de 45 minutos com uma explicação detalhada do processo de cultivo e colheita e uma prova de vinho por um sommelier/escanção da bodega La Geria, no nosso caso foi o simpático Gustavo.

Além disso, aprendemos também uma série de curiosidades, tais como o facto de estes serem provavelmente os primeiros vinhos do mundo a viajar: no passado, os navios levavam vinho daqui para o continente americano (por exemplo, para Cuba) e traziam rum de volta. Aprendemos também que a proteína da uva (que na Galiza, por exemplo, é utilizada para fazer bagaço) é aqui utilizada para fazer sabonetes e outros produtos para a vinoterapia.

Como mencionámos anteriormente, a visita guiada inclui prova de vinhos: brancos, tintos e moscatéis.

No caso de La Geria, o vinho branco “La Geria” é o vinho mais comum vendido nos supermercados, mas descobrimos a sua linha mais premium durante a visita com o vinho “Manto” e adorámo-lo. É feito a partir de uvas selecionadas com um mínimo de 100 anos de vida, as vinhas mais velhas têm cerca de 170 anos de idade.

O Moscatel é um vinho antigo, muito rico e muito caro porque se produz muito pouco (os cachos são secos ao sol, na rua, desidratando as uvas). Deve ser avisado de antemão de que é muito perigoso porque é muito suave mas quando se levanta apercebe-se que o teor alcoólico está lá… É também muito interessante porque quando se cheira inicialmente cheira a fruta e assim que se oxigenam um pouco cheira muito a enxofre (algo como cheiro a “ovo podre”).

Ao lado da adega Geria pode caminhar através das vinhas (indo para este local). A adega tem um horário de abertura limitado, verifique o horário de abertura no website da adega.

Se está muito interessado em vinho (ou simplesmente adora vinhos de malvasia vulcânica), aqui pode reservar um passeio que inclui uma visita a três adegas– Bodega Los Bermejos onde é feito o vinho Bermejo (o nosso vinho de malvasia vulcânica favorito), Bodegas Rubicón e Bodegas El Grifo – degustação, guia e transfers incluídos, reserve este passeio de 4 horas pelas vinhas de La Geria.

Se preferir uma visita mais curta, pode visitar a adega Vega de Yuco durante 1 hora onde descobrirá todos os segredos deste vinho Lanzarote e, além disso, terá uma prova de vinhos biológicos por 14 euros. Reserve aqui.

Adega El Grifo

Fomos também às adegas de El Grifo, que são as mais antigas de Lanzarote, datadas de 1775. Estas adegas têm um museu do vinho de entrada gratuita onde pode aprender mais sobre a história do vinho Lanzarote. O museu exibe diferentes instrumentos utilizados para a produção de vinho e tem também um pequeno mas fotogénico jardim de catos no exterior.

Teguise

Considerada uma das mais belas aldeias de Espanha pelo seu conjunto arquitetónico histórico-artístico, a aldeia de Teguise foi a antiga capital de Lanzarote desde o século XV (Arrecife é a capital desde o século XIX).

O melhor plano em Teguise é perder-se nas suas ruas estreitas, brancas e empedradas, admirando as fachadas dos edifícios franciscanos e dominicanos, igrejas, palácios e casas com paredes caiadas de branco, parando para uma bebida numa das esplanadas do centro histórico, perto da Igreja de Nuesta Señora de Guadalupe. Deve ser dada especial atenção ao Palácio Spínola do século XVIII, uma casa museu onde se podem admirar os seus salões, pátio, jardim e capela. Também as mansões senhoriais como a Casa Torres ou o Palácio del Marqués (um edifício de 1455), onde acabámos por comer muito bem e com música ao vivo.

Se puder coincidir a sua visita a Teguise com uma manhã de domingo, tanto melhor, há um mercado de rua das 9:00h às 14:00h e as ruas estão cheias de lojinhas de artesanato, esplanadas e vida. Embora seja o mercado mais famoso (e, aparentemente, o maior da ilha), esperávamos encontrar algo mais local e não tão feito à medida dos turistas, um sentimento que nos assaltou várias vezes nesta viagem a Lanzarote. No mercado vimos bastantes bancas com produtos importados, imitações, etc. e não tanto artesanato e produtos gastronómicos locais como esperaríamos. Mesmo assim, vale a pena uma visita, nem que seja para conhecer Teguise com ambiente de domingo e tomar uma bebida numa das suas esplanadas.

Como curiosidade, gostaria de vos dizer que muitos dos mestres do timple canário, um instrumento musical que se assemelha ao cavaquinho, vieram de Lanzarote e, mais especificamente, de Teguise, por isso, se tiverem a sorte de ver alguém tocá-lo, devem saber que estão diante de um feliz costume e tradição.

Castelo de Santa Bárbara (Museu da Pirataria)

Fora do centro da cidade de Teguise, no vulcão de Guanapay, encontra-se o Castelo de Santa Bárbara, o castelo mais antigo das Ilhas Canárias. Este castelo, construído na primeira metade do século XVI, tem uma história marcada por sucessivas invasões por piratas e corsários, razão pela qual hoje alberga o Museu da Pirataria.

Infelizmente, quando lá fomos, estava temporariamente fechado e, aparentemente, ainda está fechado enquanto escrevemos este guia. Aqui está a fotografia de Ana, do castelo de Santa Barbara que consta do artigo que escreveram para a Randomtrip na sua viagem de uma semana a Lanzarote .

Vistas de la Villa de Teguise desde el Castillo de Santa Bárbara
Ana e as vistas da aldeia de Teguise desde o Castelo de Santa Barbara. Foto de Ana e Javi (leia aqui o seu artigo sobre a sua viagem de 7 dias a Lanzarote).

Costa Teguise, Playa de las cucharas e Playa del Jablillo

Foi em Costa Teguise onde ficámos a segunda vez que visitámos a ilha porque é, dos três centros com a maior concentração de turistas (Puerto del Carmen, Playa Blanca e Costa Teguise), o “mais suportável”, ou seja, onde a concentração de turistas é a mais baixa. Sempre que viajamos tentamos ficar fora destas áreas cheias de resorts e restaurantes com menus em inglês, procurando uma área mais local, mas por vezes não é possível, e Lanzarote, neste sentido, não o torna fácil. Neste tipo de zonas insulares como a Costa Teguise é onde encontrará mais alojamento com a melhor relação qualidade/preço, especialmente se, como no nosso caso, procurar ficar durante várias semanas.

Praia de Jablillo, Costa Teguise

No entanto, embora seja uma área onde o turismo de massas está na ordem do dia, houve um par de lugares que nos surpreenderam. La Playa de Jablillo, por exemplo, pareceu-nos ser uma praia tranquila e um bom lugar nesta costa para apreciar o pôr-do-sol. Tem pouco espaço com areia, para colocar a toalha, o que a torna menos confortável, mas se não se importar, há várias rochas vulcânicas onde se pode sentar e secar. Além disso, não se esqueça dos óculos de mergulho, pois há muitos peixes pequenos para cumprimentar por aqui. Se tiver fome, jantamos uma vez na esplanada do restaurante Doña Lola e, embora achássemos a comida um pouco cara, era deliciosa. Perto está Playa Bastián, uma opção com mais espaço para espalhar a sua toalha se Jablillo não lhe convier.

Jablillo ao pôr-do-sol

A outra praia que visitámos foi a praia de Las Cucharas, a mais conhecida da Costa Teguise. Ao contrário de Jablillo, esta praia é muito menos tranquila devido ao seu mar calmo, à sua acessibilidade e ao número de restaurantes no passeio onde se encontra, o que a torna muito popular entre as famílias e turistas que aqui ficam. Nas proximidades encontra-se a praia de Los Charcos, menos frequentada que a anterior, possivelmente devido à quantidade de rochas que se encontram ao entrar no mar, o que a torna menos apelativa para as crianças. Nesta praia é muito comum encontrar várias pessoas a aproveitar o vento de Lanzarote para praticar windsurf.

Costa Teguise

Se sempre quis experimentar o mergulho, pode fazê-lo na Costa Teguise pela primeira vez: Batismo de mergulho de 2 horas. Se quiser levar isto mais a sério, tenha mais tempo e queira saír desta viagem como mergulhador certificado para mergulhar em todo o mundo, pode fazer o Curso de Mergulho Padi: na Costa Teguise pode fazê-lo em 2 dias.

Se não quiser ir muito fundo mas quiser descobrir a fauna marinha de Lanzarote, pode mergulhar de snorkel na Costa Teguise.

Nazaret: Museu LagOmar

Juntamente com o Miradouro del Río, a Casa-Museu LagOmar é uma das obras arquitetónicas de César Manrique de que mais gostamos na ilha. Está localizada numa esfera antiga, foi originalmente concebida pelo artista de Lanzarote e desenhada pelo seu braço direito, o artista Jesús Soto.

O seu nome vem de Omar Sharif, a quem pertencia. No início da década de 70, o famoso ator veio a Lanzarote para rodar o filme “A Ilha Misteriosa”, visitou a casa, apaixonou-se por ela e comprou-a. No entanto, supostamente, não foi o dono da casa durante muito tempo… San Benady (o britânico que encomendou este projeto arquitetónico), conhecendo a reputação de Sharif (vício) por jogar às cartas, desafiou-o para um jogo de Bridge apostando a casa e assim Omar Sharif perdeu-a, pouco depois de a comprar.

Não é apenas uma beleza no exterior mas também no interior, uma casa com jacuzzi incluída onde é possível ficar dentro do complexo!

O Museu LagOmar tem também um bar com esplanada, o bar la Cueva, onde pode tomar uma bebida em frente à piscina se tiver sede. Está aberto diariamente das 10:00h às 18:00h e a entrada custa 6 euros.

Fundação César Manrique

Na pequena aldeia de Tahíche está a casa onde o grande artista de Lanzarote (e o mais famoso da ilha), César Manrique, viveu durante vários anos. Depois do seu tempo em Madrid (onde foi em 1945 para estudar na Escola de Belas Artes de San Fernando), em Nova Iorque (onde viveu entre 1966 e 1968) e depois de se ter tornado um artista de renome internacional, foi nesta aldeia a norte de Arrecife que o artista construiu a sua casa e onde viveu até 1987. Em 1992, alguns meses antes da sua morte num acidente de trânsito, a casa foi aberta ao público como Fundação César Manrique. De 1987 a 2002 o artista viveu em Haría, numa casa que também pode ser visitada, a Casa-Museo César Manrique, de que também vos falámos neste guia.

A casa foi concebida sobre cinco bolhas vulcânicas no topo de um fluxo de lava e consiste em dois níveis entre palmeiras, catos e, claro, uma piscina (como no Jameos del Agua e no Museu LagOmar). A fundação visa conservar e divulgar o trabalho do artista através de pinturas, desenhos, esculturas, cerâmicas, fotografias, esboços e mesmo alguns planos de projetos que podem ou não ter visto a luz do dia.

Casa del Volcán, Fundação César Manrique. Foto de FCManrique.Org

A Fundação César Manrique está aberta todos os dias das 10:00h às 18:00h e a entrada custa 10 euros (pode comprar o Bilhete Combinado com a Casa-Museu César Manrique em Haría por 17 euros).

Arrecife

A capital de Lanzarote desde 1852 (até então era a Villa de Teguise), não foi o que mais nos despertou numa ilha com tanto para ver e fazer. No entanto, há alguns locais que vale a pena visitar Arrecife.

A nossa área de escolha na capital é o Charco de San Ginés com as esplanadas ao redor onde se pode tomar uma bebida ou jantar. Foi aqui que nasceu a cidade, onde foi construída a primeira capela, a Igreja de San Ginés, e várias casas de pescadores que compõem o quadro que contemplamos enquanto tomamos uma bebida nas margens do Charco.

El Charco se San Ginés é na realidade uma lagoa natural de águas calmas salpicada de pequenos barcos coloridos ligados ao Atlântico por um canal. Foi precisamente em torno desta lagoa que começaram a surgir edifícios e onde podemos ver os pontos turísticos mais interessantes da zona, como a Puente de las Bolas que liga a cidade ao Castillo de San Gabriel, onde se encontra o Museu Arqueológico da cidade. Também por aqui se pode encontrar o Centro para a Inovação Cultural “El Almacén”. O Museu Arrecife, o melhor local para absorver a oferta cultural da cidade e até ter algumas tapas no bar no rés-do-chão. Arrecife tem também uma praia dentro dos limites da cidade, a Playa del Reducto.

Embora esteja a tornar-se cada vez mais difícil, ainda é possível encontrar em Arrecife aquela essência de uma aldeia piscatória com arquitetura colonial canária. O Mercadillo é um bom exemplo desta arquitetura (e um local ideal para comprar uma lembrança numa das suas lojas de artesanato) e também a Calle León y Castillo, o eixo comercial onde se encontram a maioria das lojas, cafés e restaurantes. A fachada amarela do Cabildo de Lanzarote e da Casa de la Cultura Agustín de Hoz também se destacam.

Uma das mais importantes e mais populares atrações turísticas da capital é a Castillo de San José e Museu de Arte Contemporânea. O Castillo de San José, construído em 1779 por ordem do rei Carlos III para defender a cidade, é também conhecido como a “Fortaleza da Fome” porque parece que a sua construção visava precisamente a criação de empregos face à fome causada pela falta de colheitas (entre a falta de chuva e as erupções vulcânicas que devastaram o solo fértil).

Está localizada na baía do porto de Arrecife e é, desde 1976, a sede do Museu de Arte Contemporânea da ilha, após os trabalhos de restauração de, claro, César Manrique. A sua exposição permanente inclui obras de Picasso, Tapiés, Miró e do próprio Manrique, entre outros. A entrada custa 4 euros (mais barato se comprar um dos vouchers) e pode ser comprado no próprio museu ou aqui, com antecedência. O museu está aberto todos os dias das 11:00h às 18:00h.

Casa Museo del Campesino

Outra das obras de César Manrique em Lanzarote, a quinta onde está localizado a Casa-Museo del Campesino, foi restaurada e ampliada pelo artista. Foi precisamente a ligação entre esta área da ilha e o cultivo da terra que levou Manrique a criar este espaço dedicado a prestar homenagem àqueles que trabalham a terra. Ele queria que fosse numa velha quinta para refletir autenticamente o modo de vida na ilha.

O museu, em branco e verde, exibe ferramentas utilizadas no trabalho agrícola da ilha ao longo da história. No seu passeio pela quinta encontrará uma cantina, com uma esplanada, e várias lojas que vendem produtos artesanais. Explore todo o museu, desça as escadas fotogénicas, atravesse o túnel e encontrará um restaurante que serve comida típica canária.

A Casa-Museo Campesino está aberta diariamente das 10:00 às 18:00 horas e a entrada é gratuita.

Na Casa-Museo Campesino poderá descobrir a cultura tradicional de Lanzarote através de workshops, do mercado e do artesanato do Mercado Autóctone Sostenible (MAS) de segunda a sábado das 10h00 às 17h45. Neste mercado poderá aprender a fazer rosetas, cerâmicas, teares, chapéus, sais, provar queijos e vinhos, aprender a fazer os famosos mojos (picón y verde) e gofio amassado, aprender tudo sobre a cochinilha e suas possibilidades (como batom de cochinilla!), comprar presentes artesanais e até fazer as compras para a sua semana de férias com frutas e legumes orgânicos da ilha. O preço é de 3€ por cada workshop e a duração varia entre 15 e 30 minutos dependendo da atividade.

Mesmo em frente da Casa-Museu, na rotunda, encontra-se a escultura abstrata de 15 metros de altura “Monumento a la Fecundidad” (Monumento à Fertilidade). Dedicado aos esforços esquecidos dos camponeses, foi concebido por Manrique e realizado por Jesús Soto. É feito de tanques de água de barcos de pesca, soldados pintado de branco, e destina-se a representar um camponês com o seu gado.

Monumento a la Fecundidad

San Bartolomé e Playa Honda

A cidade de San Bartolomé sempre esteve ligada à história da jable (derivada da palavra sable, areia em francês), uma forma particular e engenhosa de cultivar a terra , transformando um campo árido em terra fértil. Parece que a areia da praia de Famara, carregada de nutrientes ideais para as plantações, circula livremente ao longo do chamado “corredor jable” (entre Teguise e San Bartolomé), cobrindo o solo até à Playa Honda pelo seu caminho, com a ajuda dos ventos alísios, fertilizando-o.

Jable é um canarismo que significa “areia vulcânica com a qual certas culturas são cobertas para proteger a humidade do solo“.

Fonte: Toponímia das Ilhas Canárias

Se visitar a cidade, os destaques incluem a imponente Casa Ajei (Ajei era o nome dado a San Bartolomé pelos antepassados aborígenes canários), a Casa-Palacio del Mayor Guerra e o Museu Etnográfico Tanit, alojado numa das primeiras adegas da ilha e uma antiga casa senhorial do século XVIII. O museu está aberto de segunda a sexta-feira das 10:00h às 14:00h e a entrada custa 6 euros.

Sítio arqueológico de Zonzamas. Foto de ILanzarote.net

San Bartolomé está também rodeada por sítios arqueológicos interessantes como Zonzamas, considerado um dos sítios arqueológicos indígenas mais importantes das Ilhas Canárias. Hoje o local está abandonado e em perigo de desaparecer, mas aqui, entre as “casas hondas” (uma das habitações primitivas da ilha), viveu Guardafrá, o último chefe dos Majos antes da conquista em 1402. A principal atração do local são as chamadas queseras de Zonzamas (quesera devido à sua semelhança com o recipiente em que é feito o queijo), construídas em superfícies planas sobre pedra de basalto. Mais informações sobre este site aqui.

Se lhe apetecer refrescar-se, Playa Honda é uma praia semi-urbana situada na costa turística de Tías.

Las Grietas

Entramos nas entranhas da crosta do vulcão Montaña Blanca. Estas “Grietas” são o resultado de fissuras na superfície do vulcão que dão origem a formas incríveis que podemos visitar hoje. Deixamos a localização do parque de estacionamento e como chegar às “grietas”. Abaixo pode ver um “mapa orientativo” de como chegar às “Grietas”:

Mapa para chegar a Las Grietas em Lanzarote

Ultimamente um local muito procurado na ilha por ser muito fotogénico e “instagramável“. No próprio local há várias “grietas” que pode explorar, não apenas uma, caso chegue e veja todas as pessoas apinhadas na mesma. À medida que mais e mais pessoas o vão conhecendo e evitando multidões, recomendamos-lhe que vá nos dias de semana, mais cedo (ou, o mais tarde possível) a fim de o poder desfrutar com alguma solidão.

Lembre-se que um grande afluxo de pessoas pode ter um impacto negativo no lugar, por isso, como sempre, se visitar este lugar, seja responsável: não deixe lixo, não faça graffitis nas paredes, evite tocar nas formações e por respeito ao resto das pessoas que visitam o local, não faça barulho ou “monopolize” o espaço para as suas fotografias.

A Palmeira Inclinada

Falando de pontos muito fotogénicos, esta curiosa palmeira no Parque Natural de los Volcanes vale também uma visita, não só devido à sua curiosidade, mas também devido ao ambiente em que se encontra. Aparentemente, a palmeira foi deslocada do seu lugar original e permaneceu nesta posição.

No nosso caso, optámos por fingir que a palmeira estava a cair e segurá-la com todas as nossas forças, mas há muitas maneiras de se poder fazer palhaçadas por aqui. Queremos que a palmeira especial, inclinada, viva entre vulcões durante muitos anos, por isso pense duas vezes antes de a escalar devido ao impacto que o seu peso terá na pobre palmeira. Já está suficientemente inclinada…

Reserve aqui uma rota para caminhadas através do Parque Natural dos Vulcões.

Vulcão El Cuervo (Caldeira de los Cuervos)

Pensa-se que o vulcão El Cuervo é o primeiro vulcão a entrar em erupção em Timanfaya, nas erupções de 1730 a 1736. Pode ser visitado no interior num percurso fácil, plano e curto, de uma hora. Basta estacionar aqui e caminhar em direção ao interior deste pequeno vulcão. Se estiver disposto a isso, também pode andar pelo exterior do vulcão numa rota mais longa.

Ao seu lado, tem também o Montaña Negra, se o escalar será recompensado com uma das melhores imagens do vulcão El Cuervo.

O pôr-do-sol no vulcão El Cuervo

Montaña Colorada (Caldera Colorada)

Montaña Colorada ou Caldera Colorada é um vulcão incrivelmente fotogénico devido às suas tonalidades avermelhadas inconfundíveis causadas pela alta concentração de óxido de ferro. Há um trilho simples, circular e plano (4km, aproximadamente 1 hora) que contorna o vulcão (embora haja também um desvio para subir ao cume).

Um terço do caminho ao longo do trilho, podemos ver uma pedra arredondada gigante bastante peculiar: é uma bomba vulcânica, expelida para o ar durante a erupção do vulcão, que durante a sua viagem para o solo adquiriu esta forma arredondada característica, e assim solidificou.

Ao longo do percurso existem vários sinais de informação para nos ajudar a compreender o que estamos a ver.

Para chegar a Montaña Colorada, pode estacionar aqui, de onde o trilho começa. Se não quiser fazer todo o percurso e só quiser ver a bomba vulcânica, pode caminhar cerca de 10-15 minutos do parque de estacionamento e depois refazer os seus passos.

A Cueva de Las Palomas

A Cueva de Las Palomas ou Cueva de los Naturalistas é um tubo vulcânico gerado durante as famosas erupções de 1730 a 1736, com duas “bocas” (uma e a outra) ou entradas de acesso, que podemos visitar por nossa conta. Tem pouco mais de 1 km de comprimento, e podemos entrar por uma entrada e sair pela outra.

É aconselhável levar uma tocha, calçado adequado e ser muito cuidadoso. E, claro, não deixar lixo ou qualquer outra coisa na caverna.

Mais informações sobre a formação deste tubo vulcânico podem ser encontradas neste ficheiro PDF

Tinajo, o moinho de Tiagua e o Club de la Santa

A aldeia de Tinajo é caracterizada pelas chaminés em forma de cebola que coroam muitas das suas casas brancas, mas para compreender a importância agrícola de todo o município é preciso ir ao Museu Agrícola El Patio que pode ser visitado na aldeia de Tiagua, a sudeste de Tinajo. Quando lá fomos, estava fechado (temporariamente, aparentemente devido à pandemia), mas o museu está alojado numa quinta que em tempos foi uma quinta modelo, tanto pela sua produção variada como pela sua arquitetura colonial. Há também um belo moinho que pode ser visitado, o Molino de Tiagua, mas infelizmente quando chegámos parecia completamente abandonado e sem qualquer informação.

Na parte oriental do município encontra-se a grande Caldera del Cuchillo, onde também se pode caminhar por um caminho e cuja parte sul desta caldeira ainda tem a forma de um grande penhasco que se parece com um arco. Na parte ocidental do município encontra-se a espetacular Caldera Blanca, que visitámos e achámos fantástica.

Caldeira branca

Também no município de Tinajo encontra-se a costa de La Santa, famosa pelo complexo desportivo-turístico Club de la Santa, que possui algumas das melhores instalações desportivas da ilha e onde se realiza a famosa corrida Ironman, uma das mais difíceis corridas de triatlo com atletas de todo o mundo. No Club de La Santa encontrará piscinas naturais ligadas ao mar e, mesmo em frente ao clube desportivo, La isleta, um fenómeno natural cujo recife, ligeiramente elevado e rodeado por um braço do mar, oferece boas possibilidades de mergulho.

Tenesar

Tínhamos lido que Tenesar era uma bela aldeia e ficámos curiosos. É realmente muito bonita e embora tivéssemos lido que está abandonada, não nos pareceu (algumas casas estão abertas e habitadas) embora infelizmente não tenhamos encontrado nada aberto para beber a nossa merecida cerveja depois do trilho da Caldera Blanca.

Yaiza

Yaiza, um nome de origem Guanche, é uma aldeia (homónimo do município que inclui Timanfaya, La Geria, Los Ajaches, Janubio, Hervideros e El Golfo) que sobreviveu ao mar de lava das erupções. É, portanto, uma das aldeias mais bem conservadas com arquitetura tradicional canária, com ruas brancas decoradas com flores e várias plantas.

Bar Stop, Yaiza

É aqui que pode encontrar o famoso cartaz de César Manrique anunciando o Parque Nacional de Timanfaya com o diabinho criado pelo artista.

No nosso caminho por Yaiza também era hora de almoço, por isso parámos, literalmente, no Bar Stop, um bar centenário muito recomendável onde se pode provar uma boa garbanza (um guisado com grão-de-bico, delicioso) ou o que quer que tenham no seu menu do dia com porções caseiras. Mesmo em frente ao “Stop” encontra-se a igreja de Nuestra Señora de los Remedios, que tem esculturas interessantes da virgem no seu interior.

Uga e o seu salmão fumado

Famosa pelo seu salmão fumado, a aldeia de Uga é uma pacata aldeia de pequenas casas brancas construídas sobre a primitiva aldeia do mesmo nome, enterrada pela erupção vulcânica de Timanfaya sob uma camada de 10 metros de espessura.

Ração de salmão fumado de Uga no restaurante Bodega de Santiago

Pode visitar o fumeiro mas apenas para comprar o famoso salmão fumado no local.

Os melhores lugares para experimentar são Bodega Uga ou Bodega de Santiago, em Yaiza. Fomos a este último e adorámos, especialmente o tártaro de atum com gelado de wasabi, o salmão fumado (claro), o ceviche, o arroz caldoso e a sobremesa vulcânica.

Casa Museu “A Casa” José Saramago em Tías

O Casa Museu “A Casa” José Saramago é um dos nossos locais favoritos na ilha, onde fomos a primeira vez que pusemos os pés em Lanzarote, em 2014, e ao qual regressamos agora em 2022. Aqui entrará na casa onde viveu o escritor português, vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1998, José Saramago.

Reserve aqui o seu bilhete “A Casa” de José Saramago

Nesta casa, agora uma casa museu, viveram José Saramago e Pilar del Río, uma mulher incrível, jornalista e tradutora de algumas das suas obras para o castelhano. Partilharam as suas vidas quase desde o momento em que se encontraram até à morte de Saramago em 2010. A propósito, Saramago conheceu Lanzarote nas férias, visitando a sua cunhada (irmã de Pilar del Río) e o seu marido. Apaixonaram-se tanto pela ilha e deram-se tão bem que decidiram construir uma casa, conjuntamente, desenhada pelo cunhado de Pilar, arquiteto, e que se pode visitar. Na verdade, são duas casas geminadas, como verá quando lá for, pois só se pode visitar a casa de José e Pilar. A visita guiada irá realmente levá-lo a dois cantos: a casa onde viveram, construída entre 1992 e 1993, e a biblioteca, construída mais tarde, em 2006, ao lado da casa.

É precisamente na biblioteca que a digressão começa. Em frente à entrada da biblioteca está uma oliveira portuguesa que Saramago trouxe num pequeno vaso entre as pernas no avião, sem saber se se adaptaria e cresceria neste terreno vulcânico. A oliveira, símbolo de paz e sabedoria, acolhe-vos, imponente, crescendo todos os dias, olhando para o mar.

A biblioteca é linda e enorme: tem 15.000 livros e ainda há livros para trazer da “Fundação José Saramago” em Lisboa. Os livros são classificados por assunto e origem dos autores, exceto uma área muito especial da biblioteca dedicada às mulheres autoras. Aparentemente, este canto feminino de autor foi uma ideia de Pilar del Río que Saramago aceitou e respeitou. Na biblioteca podemos também ver o primeiro livro que José Saramago comprou, com dinheiro que lhe foi emprestado por um amigo.

De acordo com o que nos foi dito, a ideia inicial de Saramago era que o edifício da biblioteca fosse a sede da Fundação Saramago, mas a dita fundação está localizada em Lisboa. Era também desejo do escritor que a biblioteca fosse o local de residências literárias para escritores, mas isto não aconteceu.

Como curiosidade,“A viagem do Elefante” (2008) foi uma obra inteiramente escrita nesta biblioteca, embora, devido à saúde do escritor nesse ano, tenha passado muito tempo no hospital e tenha levado muito tempo a terminá-la. Sempre que os jornalistas perguntavam a Pilar del Río quando (e se) Saramago iria terminar o livro, Pilar respondia sempre “Paciência”. Não só publicou “A viagem do Elefante” mas também “Caím”, um ano mais tarde. Infelizmente, escreveu apenas três capítulos da sua última obra “Alabardas” que foi finalmente publicada postumamente em 2014 com textos de Fernando Gómez Aguilera (amigo, poeta e ensaísta de Saramago) e Roberto Saviano (jornalista e escritor italiano que Saramago admirava) com gravuras de Günter Grass (que tinha editado há alguns anos).

Numa segunda parte da visita entra-se na casa de Pilar e José, onde todos os relógios da casa estão ajustados à hora exata em que José e Pilar se conheceram (por volta das 16 horas). A casa está cheia de arte nas paredes, um tapete vulcânico na entrada, lembranças de viagem, fotografias e cravos vermelhos que nos levam de volta à revolução portuguesa pela liberdade daquele de Abril de 1974.

Para lhe dar algum contexto, inicialmente a ideia de José Saramago e Pilar del Río era utilizar esta casa como segunda residência, durante os períodos que passaram em Lanzarote, mas finalmente tornou-se a sua primeira residência. Em 1991 foi publicada a obra “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, na qual Saramago conta a história de vários personagens bíblicos de acordo com a sua interpretação do livro sagrado. Algo como uma versão alternativa da Bíblia onde um messias de carne e osso deixa muito a desejar. Não queremos fazer spoilers mas se não conhece a obra, encorajamo-lo a lê-la porque ainda é uma das nossas preferidas pelo escritor, juntamente com Memorial do Convento e Ensaio sobre a Cegueira. Estamos atualmente a ler, claro, “Cadernos de Lanzarote”.

Com a publicação de “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, Saramago estava consciente de que podia esperar críticas de setores mais conservadores e religiosos ou da imprensa tablóide. Mas o facto é que o livro foi retirado de uma lista oficial de candidatos a um prémio europeu de literatura pelo Secretário de Estado da Cultura do então governo, António Sousa Lara (na altura membro do partido social-democrata PSD e recentemente parte do partido de extrema-direita Chega). Em 1993, dois anos após a publicação do livro e com esta casa em Tías, pronta, Saramago veio com Pilar para Lanzarote numa espécie de“exílio voluntário” e aqui viveu e escreveu os seus romances (primeiro na secretária da casa, depois na biblioteca), até à sua morte.

É uma visita muito bonita e muito bem contada, por vezes pelo encantador Juanjo (filho de Pilar del Río, enteado de José Saramago), outras vezes por uma colaboradora do museu que lhe contará a história em grande detalhe. Recomendamos vivamente esta visita quando vier à ilha, especialmente se, como nós, for um fã das obras do escritor. Também recomendamos o documentário “José e Pilar” de 2010 (o ano em que Saramago morreu), que pode ser visto na Filmin.

O preço da entrada é de 8 euros por pessoa (2 euros para residentes de Lanzarote e grátis para crianças menores de 16 anos), pode reservá-la aqui e ter atenção dado que está aberta nos dias úteis, de manhã (das 10h às 13h30), exceto na quinta-feira que também está aberta à tarde (das 16h às 17h30). É imprescindível marcar com antecedência pela net, por telefone +34 928 59 60 87 ou por e-mail acasajosesaramago@gmail.com . Quando for, diga olá aos gatos Frido e Blimunda, mascotes de A Casa, por nós.

Além de “A Casa”, a aldeia de Tías (localizada na Paisagem Protegida de La Geria) tem um Teatro Municipal e um Museu de Arte Gravada.

Reserve aqui o seu bilhete para a Casa de José Saramago

3. Sul de Lanzarote

O protagonista do sul da ilha é o monumento natural de Los Ajaches, onde se concentram algumas das praias mais famosas, como Playa Papagayo, com a sua areia fina e águas transparentes. É também por aqui que estão localizadas as duas maiores estâncias turísticas de Lanzarote, Puerto del Carmen e Playa Blanca, o que significa que é precisamente no sul que encontrará mais hotéis e restaurantes, mas também a maior sobrelotação. Não se surpreenda se em alguns dos locais mais famosos e interessantes desta área, como a bonita aldeia piscatória de El Golfo, Charco de los Clicos ou Los Hervideros, se deparar com vários autocarros cheios de turistas ansiosos (e apressados) na sua excursão diária a Lanzarote.

Praia de Papagayo e outras praias do Monumento Natural de Ajaches

Esta zona vulcânica no sul da ilha é o Monumento Natural dos Ajaches, um maciço vulcânico que esconde algumas das melhores praias da ilha, incluindo a famosa praia de Papagayo. Embora Papagayo seja bela, há outras praias incríveis na zona circundante de que gostamos ainda mais, sobre as quais vos falaremos a seguir.

Praia de Papagayo

Apetece-lhe fazer paddle surf ou fazer snorkel na praia de Papagayo? Reserve aqui. Ou, se preferir ainda mais adrenalina, pode fazer coasteering e explorar as zonas mais acidentadas da praia.

Para entrar nesta zona tem de percorrer alguns quilómetros em pistas não pavimentadas em condições bastante más (a 20-30km/h), com cuidado (lembre-se que a maioria das empresas de aluguer não cobre danos em estradas não pavimentadas). Há uma bilheteira na entrada onde se tem de pagar 3 euros por veículo, mas quando fomos (num sábado de Janeiro de 2022 às 10:30h) não estava lá ninguém.

Praia do Pozo

Recomendamos o download da aplicação Maps.me com o mapa de Lanzarote, uma vez que as estradas de acesso à casa de praia são melhor indicadas lá.

Lista de praias de leste a oeste:

  • Caleta del Congrio e Playa de Puerto Muelas: estão localizadas atrás de um grande parque de campismo que parecia estar completamente fechado. Estaciona gratuitamente no parque de campismo e caminha (à direita é Caleta del Congrio, à esquerda Puerto Muelas). Caleta del Congrio é nudista, grande e bela (lembrava-nos a Playa de los Ojos em Fuerteventura). Se for com a maré baixa, é melhor usar calçado apropriado por causa das rochas. Não há serviços ou lojas nesta praia.
  • Playa del Papagayo: a praia mais conhecida da ilha, com 2-3 restaurantes no topo, com vista para a praia. Tem um parque de estacionamento gratuito, embora fique muito lotado.
  • Playa de la Cera: à direita de Papagayo, acessível a partir do mesmo parque de estacionamento, um pouco mais extensa. Gostámos mais dela do que da conhecida praia vizinha.
  • Playa del Pozo e Sítio Arqueológico da Playa del Pozo: também acessível a pé, a partir das anteriores, muito mais extensa, com uma grande área arenosa (cuidado com o vento).
  • Caletón de San Marcial e Caletón del Cobre: enseadas isoladas que estão praticamente intocadas.
  • Playa Mujeres e Cueva de Agua: Playa Mujeres é uma praia muito extensa com uma grande área arenosa, a praia mais próxima da Playa Blanca. Tem dois parques de estacionamento gratuitos (um e outro), e vimos bastantes campervans e autocaravanas. À esquerda há duas enseadas (as do ponto anterior, que podem ser alcançadas a pé) e à direita há uma caverna que pode ser alcançada pelo mar ou por vezes na maré baixa. Não há casas de banho, embora um vendedor ambulante, de bicicleta, passe com bebidas.

Playa Blanca

Juntamente com Puerto del Carmen e, em menor medida, Costa Teguise, Playa Blanca é um dos maiores centros turísticos de Lanzarote. O que costumava ser uma pequena aldeia piscatória é hoje um centro cheio de hotéis, urbanizações e restaurantes com muito turismo.

A partir do porto de Playa Blanca é possível chegar à ilha vizinha de Fuerteventura em meia hora de ferry para Corralejo. Desta forma poderá conhecer a ilha que esconde as melhores praias de todo o arquipélago das Canárias. Se quiser saber do que estamos a falar, consulte o nosso guia de Fuerteventura ou este post que fizemos com aquilo que, na nossa opinião, são as melhores praias de Fuerteventura. Gosta da ideia? Reserve aqui o seu ferry de ida ou ida e volta.

Grandes Playas de Corralejo. Disfrutamos de la playa todos los días ¡a principios de Marzo!
A partir da Playa Blanca pode chegar a Corralejo (Fuerteventura ) de barco. Na fotografia Chris nas Grandes Praias de Corralejo. Reserve aqui o ferry para Fuerteventura a partir da Playa Blanca (Lanzarote)..

Se é um amante da aventura, não perca o parasailing na Playa Blanca: voará sobre o Atlântico enquanto tem uma vista panorâmica de toda a costa sul de Lanzarote. Clique aqui, se quiser saber mais.

Reserve aqui o ferry de regresso entre Playa Blanca (Lanzarote) e Corralejo (Fuerteventura)

Los Charcones

Poderíamos dizer que Los Charcones são vários jacuzzis naturais, um após outro, cuja espuma do banho de imersão é fornecida pelas ondas do mar. Naturalmente, para desfrutar deste spa natural, fresco e gratuito é essencial ir com a maré baixa porque uma vez que começa a subir, pode tornar-se perigoso. Para verificar como vai ser a maré, pode consultar Windguru.

Estas piscinas naturais são também ideais para observar ao pôr-do-sol, à medida que o sol se põe no mar, por isso se coincidir com a maré e o pôr-do-sol, terá a melhor experiência nas piscinas. E não se esqueça dos seus óculos de mergulho (aqui está um bom kit por menos de 20 euros) porque não tem onde os alugar aqui e vai perder a incrível biodiversidade encontrada nestas piscinas criadas pelo mar.

A chegada não é fácil, é preciso ir muito silenciosamente e sem pressa (com o carro a menos de 20km/h) numa estrada de terra muito má com várias pedras altas e muito cuidado, embora com paciência se possa fazer perfeitamente bem.

Para lá chegar deixamos-lhe o ponto exato no Google Maps (se colocar este ponto no GPS do Google Maps leva-o para a direita, fazendo aqui um desvio por estrada de terra), que é um hotel abandonado dos anos 70, e uma vez estacionado o carro é apenas caminhar em direção ao mar com muito cuidado pois é terreno de lava com algumas pedras pontiagudas e/ou escorregadias.

Salinas de Janubio e praia Janubio

Dado que a atividade pesqueira sempre foi muito importante na ilha, outras indústrias desenvolveram-se à sua volta, tais como a produção de sal com o objetivo de abastecer os navios que pescavam ao largo da costa africana. Os lagos naturais que se formaram ao longo da linha costeira foram utilizados para fazer as salinas mais importantes da ilha e as maiores das Ilhas Canárias, as salinas Janubio.

As salinas de Janubio

Estas salinas fotogénicas estão em funcionamento e podem ser visitadas: marque aqui uma visita guiada. Também pode comprar sal e levar consigo uma lembrança comestível para casa.

Durante a visita, verá como os moinhos de vento empurram a água do mar para as centenas de recipientes de barro e terra em que é produzida a maior parte do sal necessário às indústrias pesqueiras da ilha.

Entrada nas Salinas Janubio

Pode também contemplar esta tábua multicolor de sal de dois miradouros, um na estrada mais pequena que conduz à Playa Blanca e outro no acesso às salinas, ambos mostrados no mapa.

Salares Janubio multicoloridos

Junto à planície de sal (salinas) está o Praia Janubio, uma extensa praia de areia vulcânica preta com fortes correntes que a tornam perigosa para um mergulho.

A praia de Janubio e as salinas de Janubio

Marque aqui uma visita guiada às Salinas de Janubio

Los Hervideros

Estas formações rochosas, chamadas hervideros, foram criadas pelo arrefecimento e solidificação da lava quando esta entrou em contacto com a água do mar.

O mar continuou a sofrer erosão, criando buracos e tubos entre a lava que são verdadeiras performances da natureza. A força do mar a verter através destes tubos faz com que a água subitamente suba à superfície e é impressionante sentir o tremor à medida que o mar se despenha contra a lava. Se tiver sorte pode até ver um arco-íris a subir diretamente de uma das aberturas em ebulição. É aconselhável ir às fontes termais na maré alta e quando o mar não estiver demasiado calmo para sentir toda a força do mar desde cima.

No entanto, considere que los Hervideros são um dos locais mais turísticos da ilha onde todos os autocarros turísticos param, pelo que recomendamos que evite visitar o local entre as 11h e as 13h quando a maioria dos autocarros turísticos lá vai.

Praia Montaña Bermeja

Praia de areia preta na estrada de Los Hervideros para El Golfo. A praia tem o mesmo nome que o vulcão ao seu lado no extremo ocidental do Parque Nacional de Timanfaya. Esta praia tem também uma piscina verde (muito menos famosa que Charco Verde ou Charco de los Clicos).

Uma praia a caminho de Charco de los Clicos

El Golfo

A borda da montanha homónima encontramos El Golfo: uma cratera de origem marinha formada durante as erupções vulcânicas no século XVIII, com a forma de um anfiteatro romano.

A bonita aldeia branca de El Golfo, aninhada entre montanhas vulcânicas junto ao mar, tem vários restaurantes com esplanadas com vista para o mar onde se pode jantar na brisa do mar ou apreciar um dos mais belos pores-do-sol da ilha.

Quando fomos, passamos por vários restaurantes com esplanadas: a Costa Azul, o Bogavante, a Casa Torano e o Mar Azul. Tenha cuidado! Se quiser apenas tomar uma bebida, provavelmente não o deixarão ter uma mesa, uma vez que estão normalmente reservados para o almoço/jantar, mas o Bogavante tem uma esplanada dividida em duas áreas (uma só para bebidas) e pode ter sorte. Tentámos às 16:30h e só nos deixaram tomar uma bebida no Mar Azul, em todos os outros tinhamos de almoçar ou jantar (não percebemos muito bem se almoçar ou jantar, a essa hora…).

El Golfo esconde um dos tesouros de Lanzarote, o Charco de los Clicos (ou Charco Verde), do qual vos falaremos dentro de momentos.

Charco Verde (Charco de los clicos)

Ao pé da falésia vulcânica de El Golfo formou-se uma pequena e curiosa lagoa (entre 8 e 10 metros de profundidade) cujas águas se filtram a partir do mar. O nome desta piscina natural, Charco de Los Clicos, com a sua cor verde contrastante, sobressai das águas vulcânicas negras vindas dos clicos, um tipo de marisco semelhante à ameijoa que existia nesta lagoa.

É também conhecida como Charco Verde ou Lago Verde e parece que a olivina, uma pedra semi-preciosa usada para fazer muitas jóias locais, costumava ser lá encontrada.

Para o ver do miradouro tem de ir em direção à aldeia de El Golfo, estacionar no primeiro parque de estacionamento do lado esquerdo (deixamo-lo no mapa) e caminhar para a esquerda ao longo do caminho, onde chegará a um pequeno miradouro a partir do qual poderá ver o charco de Los Verdes e a praia, e regressar à aldeia de El Golfo.

Playa Quemada, Cala Quemada e Playa de Arena

A partir da pequena aldeia de Playa Quemada, é possível aceder a estas duas praias tranquilas e despovoadas fora do mapa para a maioria dos turistas: Cala Quemada (na própria aldeia) e Playa de Arena (acessível a pé a partir de Cala Quemada na maré baixa).

Puerto del Carmen

Puerto del Carmen é um dos centros turísticos mais importantes da ilha e a verdade é que mal conhecemos as suas praias, pois é aqui que se concentra a maior parte do turismo da ilha e no Randomtrip tentamos sempre evitar a sobrelotação e rumar a praias menos acessíveis e com menos gente (mas também com menos serviços).

Em Puerto del Carmen encontrará 6 kms de praias, sendo a mais famosa e popular a Playa Grande. Pocillos é a praia mais longa, Matagorda a praia de windsurf e Guasimeta a praia mais próxima do aeroporto (junto ao aeroporto há um miradouro para ver os aviões a aterrar). Também pode dar um mergulho em pequenas enseadas vulcânicas como La Pila de la Barrilla, La Chica, La Peñita e Barranquillo.

De Arrecife para o sul, há 20 km de costa cheia de complexos hoteleiros, apartamentos e muitos restaurantes. Na verdade, é a área da ilha com a mais vasta gama de alojamento e gastronomia. Pouco resta do que Puerto del Carmen foi nas suas origens, uma pacata aldeia piscatória, mas se ainda se quiser sentir um pouco dessa atmosfera, o melhor lugar para o fazer é na zona conhecida como La Tiñosa, onde pequenos barcos ainda se refugiam.

Uma das actividades estrela em Puerto del Carmen: um passeio de catamarã ao pôr-do-sol. Foto de Civitatis. Reserve aqui.

Se quiser visitar a marina mais luxuosa de Lanzarote, Puerto Calero, pode fazê-lo por ferry desde Puerto del Carmen por apenas 9 euros. Não fomos lá mas é conhecido pela sua extensa oferta gastronómica, spas e boutiques de design. Se pensa que é algo que lhe pode atrair, aqui pode reservar o ferry de Puerto del Carmen para Puerto Calero por 9 euros.

Sendo o maior centro turístico da ilha, há várias atividades a realizar em Puerto del Carmen. Se estiver aqui hospedado ou a desfrutar de uma das suas praias, recomendamos o seguinte

Bilhetes em Lanzarote: poupar com vouchers

Como já perceberam se leram até aqui, há muitas coisas para ver e fazer em Lanzarote, e muitas destas atrações têm de ser pagas, aumentando o preço da viagem. Dependendo dos lugares que vai visitar, pode poupar algum dinheiro com os vouchers CACT (Centros de Arte Cultura y Turismo del Cabildo de Lanzarote).

Basicamente, existem 3 vouchers que lhe permitem aceder a alguns dos lugares geridos pelo CACT, por isso se vai a todos os lugares incluídos no voucher, compensa poupando alguns euros.

Os vouchers são os seguintes

  • Pacote de 3 centros (23,50 euros). Inclui:
    • 2 centros à escolha entre Timanfaya-Montañas del Fuego, Jameos del Agua, Cueva de los Verdes
    • 1 centro à sua escolha de Miradouro del Río e Jardín de Cactus.
  • Pacote de 4 centros (29 euros). Inclui:
    • 3 centros: Timanfaya-Montañas del Fuego, Jameos del Agua, Cueva de los Verdes
    • 1 centro à sua escolha de Miradouro del Río e Jardín de Cactus.
  • 6 vales de centro (35 euros). Inclui:
    • 6 centros: Timanfaya-Montañas del Fuego, Jameos del Agua, Cueva de los Verdes, Miradouro del Río, Jardín de Cactus e MIAC Castillo de San José.

Para calcular se vale ou não a pena para si e quais os centros a escolher nos vales de 3 e 4 centros, estes são os preços de cada centro sem vale:

CentroPreço
Timanfaya-Montañas del Fuegom12€
Jameos del Agua10€
Cueva de los Verdes10€
Miradouro do Rio5€
Jardín de Cactus6,5€
MIAC Castillo de San José4€

No nosso caso, nesta segunda visita à ilha, queríamos ir a Jameos del Agua, Cueva de los Verdes, Mirador del Río e Jardín de Cactus, pelo que o mais barato para nós, era ir a Jameos del Agua e Cueva de los Verdes:

  • Comprar o vale de 3 centros com Jameos del Agua, Cueva de los Verdes e Jardín de Cactus (23,50 euros em vez de 26,50 euros)
  • Comprar separadamente a entrada para o miradouro do rio (5 euros).

Se não tiver o seu próprio veículo, pode também visitar os 3 lugares mais visitados (Timanfaya, Jameos del Agua e Cueva de los Verdes) com este passeio que inclui transferências e taxas de entrada.

Os melhores trilhos para caminhadas em Lanzarote

  • Rota de Tremesana na Timanfaya: rota guiada através de uma pequena área da Timanfaya com lugares muito limitados (reservar aqui), dificuldade fácil (3km, 3h). Mais informação
  • Rota Litoral Timanfaya: rota que pode ser feita guiada (lugares muito limitados, reserve aqui) ou por sua conta, entre El Golfo e Tenesar. Dificuldade média (2,5km, 3h). Mais informação
  • Rota Caldera Blanca: rota através do Parque Natural de Los Volcanes (área também afetada pelas erupções de Timanfaya mas não dentro do Parque Nacional e, portanto, o acesso é livre). Grau de dificuldade: alta (sobe-se até à borda do vulcão Caldera Blanca, onde normalmente faz vento), 10km, 4h. Exemplo de rota no Wikiloc
  • Vulcão El Cuervo: acredita-se ser o primeiro vulcão a entrar em erupção em Timanfaya. Pode ir sozinho, e há várias opções de rota; a mais fácil e a mais curta, para a cratera, é de grau de dificuldade fácil e leva 1 hora.
  • Montaña Colorada (Caldera Colorada): muito próxima da anterior, também pode ser feita por si próprio para apreciar este vulcão de tons avermelhados e para ver de perto uma bomba vulcânica. Há também várias opções, a mais típica que contorna a montanha é de dificuldade fácil (4km, 1h).
  • Vulcão La Corona: este vulcão é responsável pela criação de lugares emblemáticos na ilha, como La Cueva de los Verdes e Los Jameos del Agua, entre outros. Pode subir até ao topo e apreciar belas vistas de La Graciosa e do norte de Lanzarote. O percurso é de dificuldade fácil, 5km, 1h30. Exemplo da rota no Wikiloc

Onde mergulhar em Lanzarote: os melhores spots de submarinismo

Existem mais de 15 incríveis pontos de mergulho à volta de Lanzarote, espalhados entre a Costa Nordeste, Puerto del Carmen e Playa Blanca. Não tive a oportunidade de mergulhar na ilha, mas recomendaram-me dois centros de mergulho: AlisiosSub (consulte o website deles para ver todos os mergulhos e cursos que oferecem) e Pura Vida Lanzarote (aqui pode ver todos os mergulhos e pacotes de mergulho que oferecem).

Falamos-vos de alguns dos mergulhos mais famosos em Lanzarote:

  • O Museu do Atlântico: a uma profundidade de 12 metros nas águas claras ao largo da costa sul de Lanzarote, na Baía de Las Coloradas. Este museu, concebido por Jason de Caires Taylor, foi concebido como um grito para a defesa dos oceanos e como um lugar para a preservação, conservação e educação do ambiente marinho e da natureza. O projeto está a criar um grande recife artificial constituído por uma série de instalações escultóricas em betão de pH neutro que, com o tempo, servirá para aumentar a biomassa marinha e facilitar a reprodução das espécies da ilha.
Museu Lanzarote Atlântico. Foto do website do centro de mergulho Pura Vida Lanzarote.

Se você sempre quis aprender a ou experimentar fazer submarinismo pela primeira vez, pode fazê-lo em Lanzarote! As águas calmas da ilha são ideais para um primeiro contacto com as maravilhas do mundo subaquático da ilha:

Se quiser levar isto mais a sério, dispõe de mais tempo na ilha e queira acabar esta viagem a Lanzarote como mergulhador certificado e pronto a mergulhar em todo o mundo, pode fazer o Curso de Mergulho Padi: na Costa Teguise e pode fazê-lo em 2 dias.

Inês feliz buceando
Inês feliz a fazer mergulho

Onde ficar em Lanzarote: as melhores zonas

A nossa área de escolha é o norte da ilha e tentamos sempre ficar em Punta Mujeres ou Arrieta (e se estiver numa casinha em frente ao mar, ainda melhor). No entanto, há mais alojamento disponível nas estâncias do sul, tais como Playa Blanca ou Puerto del Carmen. A última vez que visitámos a ilha ficámos neste apartamento na Costa Teguise e adorámos (a nossa anfitriã, Laura, deu-nos muitas recomendações de locais a visitar e restaurantes por toda a ilha).

Norte, a nossa zona preferida: onde ficar em Famara, Punta Mujeres, Arrieta e Órzola

Famara é uma excelente opção para ficar longe da azáfama turística do sul, com a tranquilidade do norte da ilha e aquele ambiente de surf. Algumas recomendações sobre onde ficar aqui:

  • Yokomosurf Camp Albergue com bar, terraço, salão e zona de barbecue. Tem quartos duplos e partilhados.
  • Red Satr Surf & Yoga Camp Lanzarote Uma pousada de surf com quartos partilhados e privados e um terraço com vista para o mar onde se pode desfrutar de uma cerveja depois de algumas boas ondas.
  • Juanita Beach apartamento T1 em frente a praia
  • Casa Medusa uma casa com terraço, cozinha e uma decoração muito gira onde até 6 pessoas podem ficar.
  • Playa de Caleta de Famara uma casa também para um máximo de 6 pessoas, e com vista para Caleta de Famara.
Casa Medusa en Famara. Foto de Booking
Casa Medusa em Famara. Foto de Booking
Juanita Beach en Famara. Foto de Booking
Juanita Beach Apartment em Famara. Foto de Booking

Mais alojamento em Famara aqui

Punta Mujeres, a bela e tranquila área onde escolhemos ficar pela primeira vez na ilha. Arrieta, na porta ao lado, é também uma excelente opção:

Sunrise casita del Mar, nuestro alojamiento en Punta Mujeres. Foto de Booking
Sunrise Casita del Mar, alojamento em Punta Mujeres em frente ao mar. Foto de